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terça-feira, 3 de abril de 2012

Critica do Filme - A mulher de Preto


É impossível assistir “A Mulher de Preto” e não imaginar Lord Valdemor sussurrando “ Harry Potter “ Logo no inicio, quando Arthur Kipps ( Daniel – Potter – Radcliff) adormece no Trem e acorda exaltado depois de um pesadelo, principalmente porque a cena foi repetida pelo bruxo indo a Hogwarts por não menos que 9 longas ao longo dos anos, ao começar a ver o filme pensei... Gina Weasley morreu no parto (o filho dele é ruivo para piorar a situação ) e Potter se tornou advogado!!!

Mas logo essa sensação de estranhamento passa, quando Arthur chega ao seu destino, uma pequena cidade com seus moradores melancólicos e assustados.


A mansão onde habita “A Mulher de Preto” é claramente uma referencia a Rose Red, casa também mal-assombrada de Steven King, só que mais inglesa.

A história se passa toda nessa cidadezinha, a preocupação com a fotografia, enquadramento de câmera e sobretudo com o cenário é primorosa, o filme é esteticamente perfeito, principalmente para amantes de Edgar Allan Poe e Anne Rice.

A Narrativa segue os parâmetros de um conto de terror gótico clássico, o que nos rende bons sustos, a ambientação numa Grã-Bretanha no inicio do sec. XX, contribui e muito para levar o nosso inconsciente a sentir mais medo, afinal muitos clássicos de terror de todos os tempos se passam nesse período, como o Drácula de Bram Stoker e nós também sabemos que naquela época nas ruas de Londres andava a solta Jack, o estripador. Além de o próprio Sherlock Holmes desvendar tramas obscuras na mesma época e local.
 
O filme foi bem amarrado, apesar de Daniel Radcliff ser muito novo para um personagem pai, viúvo e advogado decadente.
A Hammer filmes (produtora do filme) segue muito bem desde sua volta em 2008. Deixe-me entrar (Adaptação do Sueco , deixe ela entrar) A colocou nas paradas novamente e com o aparente sucesso de “A mulher de preto” intuo que a Hammer está se tornando a coqueluche do momento no quesito filmes de terror.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Numa Cajadada só!






Dois coelhos é um filme nacional com incisivas referencias norte-americanas na trama.
É um Triller de ação, que vai agradar a quem, como eu, gosta do gênero, “violência a La Tarantino”.
A trama é fraguimentada, cheia de idas e vindas, há quem diga que isso prejudicou o roteiro, fato é que o cinema brasileiro não tem tido muito sucesso quanto aposta nesse modelo, mas parece-me que pela primeira vez um diretor acerta na medida.
O fato é que também, é um filme épico contemporâneo, conta a história de um Anti-Herói, Edgar, que em sua frenética e maquiavélica jornada  chega por fim, apenas no último minuto do filme ao seu propósito, propósito afinal, que não se desconfia durante todo o filme.
A mistura da linguagem de videoclipe, videogame e as trucagens de pós produção são o que dão maior movimento a trama, que se fosse colocada em ordem cronológica, de fato não teria grandes surpresas.
A personagem de Alessandra Negrini, tem ataques de pânico, e isso peculiarmente chama a atenção, quando ela entra nesses surtos, ela vai para uma realidade alternativa.

Num filme com o Ritmo tão frenético, a realidade alternativa da personagem é toda em slowmotion e mistura animação com filme, numa  aura de contos de fada mórbido, bem ao estilo TIM Burton.
Aliás, no filme sã claras as referencias a diversos diretores consagrados norte-americanos, mas tembém é clara a referencia a Cidade de Deus, só que ambientado as gírias e molejos do bandido paulistano.
Em Dois Coelhos, ninguém é mocinho, ninguém é inocente, e quanto mais mexe mais fede. Mas no final, tudo é esclarecido e o público sai do cinema chacoalhado e reflexivo.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Conan O Barbaro -



Quando criança eu era fanática pelo Arnold Schwarzenegger, fazia meu pai alugar todas as fitas com filmes dele, e ficava até tarde acordada quando ia passar algum lançamento dele na Tela-Quente -Naquela época ele tinha lançamentos quase que anuais - Eu tinha um bonequinho do Conan, que por algum motivo que não sei explicar, ele era "namorado" da minha boneca da Shira (do He-man) mas isso não vem ao caso. E Conan era um dos meus filmes favoritos.
Quando adolescente eu SEMPRE andei com garotos que jogavam Vampiro, D&D, colecionavam Toy Art e Obviamente faziam coleção de Mangá e Quadrinhos, entre tantos, CONAN THE BARBARIAN. E eu sempre lia...


Sendo assim, pode se dizer que sou quase uma perita no assunto Conan, seja n obra original de Robert E. Howard, ou seja na  adaptação para o cinema em 1984 com o Arnold Schwarzenegger, Dirigido por John Millus e Oliver Stone (Platoon) .


Assisti no Cinema o Novo Conan, de 2011, com Jason Momoa e sob a direção de Marcos Nispel ,
ao contrário do que a grande critica tem dito por aí, em primeiro lugar, não vejo o filme como um Remake do  filme de Oliver Stone, tão pouco vi Jason Momoa como um péssimo ator como estão pintando por aí... Ele só foi o CONAN, o Conan é caricato, ele não se expressa direito e ele só tem um objetivo na vida, vingança! Aquele olhar em contra-plongê que ele faz o tempo todo, está desenhado nos quadrinho, talvez o preparador de elenco tenha exagerado um pouco, confesso, mas só fui perceber isso na 2º vez que vi o filme.
Achei todas as cenas de luta do filme maravilhosas, e sobretudo a cena do Conan lutando com aquelas Mumias de Areia enfeitiçadas. E muitos não viram sentido para a Tamara (Rachel Nichols) no enredo... Conan é um épico, é um enredo de "fantasia e espada" e se não houvesse uma "mocinha" com a pureza de um anjo e a teimosia de uma adolescente, não seria um épico, caiu como uma luva, deu leveza a toda aquela sanguinolência escorrendo da espada de Conan, e humanizou o personagem, pois se não houvesse um conflito, se ele fosse 100% vingança, ninguém iria ao cinema ver o filme, iriamos a um matadouro verem cortar carne...
Achei o filme uma boa pedida, apesar de ter falhas estruturais graves, no que se refere a continuidade, cumpriu a proposta.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Black Swan - Cisne Negro

Do Diretor Darren Aronofsky (Requein for a Drean ), Cisne Negro é sem sombra de duvidas o filme de drama/suspense mais intenso que via a muito tempo.

Sinopse:

Cisne Negro é um thriller psicológico ambientado no mundo do balé da Cidade de Nova York. Natalie Portman (V de Vingança )interpreta uma bailarina de destaque que se encontra presa a uma teia de intrigas e competição com uma nova rival interpreta por Mila Kunis( O Livro de Eli ).  Cisne Negro faz uma viagem emocionante e às vezes aterrorizante à psique de uma jovem bailarina, cujo papel principal como a Rainha dos Cisnes acaba sendo uma peça fundamental para que ela se torne uma dançarina assustadoramente perfeita.

Um drama psicológico caracteristico de Darren Aronofsky, estética noir, nada de ambientes abertos, luz do sol ou ao menos uma corzinha só no figurino... tudo preto e cinza, como a alma de nossa protagonista Nina.

Quem é Nina?

Nina é uma bailarina determinada a atingir a perfeição, diciplinada e invariavelmente insegura, a principio vemos em Nina, uma pureza quase "Sandy" (me perdoem a comparação) mas logo após o 1º turnim point, vemos uma fera com sede de poder a qualquer preço. Começamos a ver uma maniaca depressiva que odeia sua vida e tem paranóia pela perfeição.

Em contra partida, temos a nossa "vilã" Lily, forte, determinada, indiciplinada e irresistivelmente sexy. Com seu jeitinho "Bad girl" e com um quê de "Lolita" Lily desperta em Nina um universo inteiro de conturbações.

Mais que um filme de suspense, Cisne Negro (sitando o Vitor Stefano): 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
"Ele é um conturbador mental, impossibilitando qualquer distânciamento dos sentimentos
aflorados e corrompidos pelas imagens, diálogos e trilha sonora.
É a história real de um mundo que nos força a ser perfeito e, 
à toda custa, atingir os objetivos traçados por uma sociedade 
consumista de escremento e derrotas dos concorrentes"
.
A mente de Nina está enegrecendo, necrosando o resto do corpo, destroçando a alma e destruindo seus sonhos, sua mãe perturbada contribui ainda mais para esse pesadelo aumentar.Nina se auto flagela como castigo para a não-perfeição..

. Nina só queria finalmente atingir o ápice, aparecer, ser alguém. 
E para ser alguém no ballet (e na vida), 
só muita perseverança, despertar cedo e ter muito talento.
Mas era a vez de Nina, mesmo com todos os fantasmas que a rodam, 
seja as concorrentes, as amigas, o professor ou mesmo a mãe
, bailarina frustrada. A vida não é nada fácil para Nina. 
Além de todos esses fantasmas, há ela. Nunca percebemos, 
mas sempre o maior inimigo é você mesmo.
(Sitando Vitor Stefano novamente) 











"EXTRAORDINÁRIO"

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Estética no filme “Os intocáveis” de Brian de Palma.


Por Jessica Sardinha

Os intocáveis, filme dirigido por Brian de Palma (Dalha Negra) e escrito por David Mamet (Hannibal) com trilha sonora de Enio Morricone  com Robert De Niro no papel do famoso gangster Al Capone.
É um celebre filme, conhecido e premiado pelo mundo a fora.
“A história se passa em Chicago nos anos 30, epóca da lei seca. Eliot Ness (Kevin Costner) é um agente federal encarregado de capturar o gângster Al Capone (Robert De Niro), mas suas tentativas são sempre pífias, graças também a corrupção existente dentro da polícia. Após ser humilhado pelos jornais por suas frustradas apreensões, Ness reúne um pequeno grupo de homens confiáveis e incorruptíveis para realizar a tarefa.
Jim Malone (Sean Connery) é o mentor de Ness, um experiente policial que se junta ao grupo disposto à ajudá-lo. George Stone (Andy Garcia) é um italiano que acaba de ingressar na Academia e por último, Oscar Wallace (Charles Smith), um contador responsável por analisar se Al Capone vinha omitindo informações financeiras em seu imposto de renda.
As atuações são fantásticas. De Niro rouba a cena, interpretando Al Capone cheio de sarcasmo e crueldade, ele e Sean Connery dão um show todas as vezes que aparecem em cena. Kevin Costner fez um ótimo papel, demonstrando as fragilidades e humanidade do seu personagem, isso em um tempo onde ainda tinha uma grande carreira. Charles Smith serve como peça cômica na históra e finalizando com Andy Garcia ainda no início de carreira, mas mostrando a que veio.”
(fonte: Flávio Vieira 8 - agosto - 2010 para o site Vortex Cultural)


Sua estética se baseia na film noir (estilo francês bem comum entre as décadas de 40 e 50 do século passado)

Film Noir é um estilo de filme que retrata seus personagens centrais como anti-herois, normalmente antipáticos e cínicos.
Derivado de romances do inicio do século 20 e de filmes de terror da década de 30 , a estética do film noir se consolida no inicio da década de 40 sendo apresentada com maior freqüência em filmes policiais, como é o caso de “Os Intocáveis” . Oriundo de pesquisas na área da pintura e nos princípios da fotográfica, a estética do Film Noir é baseada em fortes contrastes de luz e sombra, sem cores muito vivas . Seus personagens principais normalmente tem um caráter duvidoso e seus personagens secundários não tem muita profundidade.
 Os ambientes são comumente realistas urbanos, ruas sujas, tempos de violência e segregação racial.

A estética do Film Noir é conhecida principalmente por seus dramas inteligentes enredados por tramas que envolvem paranóia, desconfiança e cinismo.
O Film Noir tem como característica estética o uso de sombras dramáticas, alto contraste e muitos deles não são filmados em estúdio, é bem comum utilizar a locação de referência para fazer a cena. Normalmente esses filmes se passam em ambientes fechados ou a noite, dando um maior ar de mistério a trama. Seus ângulos de câmera tendem a não ser nada convencionais, utilizando cenas filmadas através do espelho por exemplo.
Elementos comuns a Film Noir

Personagens

  • Femme fatale
  • Protagonistas moralmente ambíguos
  • Protagonistas alienados
  • Bode expiatório
  • Personagens violentos ou corruptos

Ambientes

  • Ambiente urbano
  • Ambiente contemporâneo
  • Locações exóticas ou remotas
  • Casas noturnas e/ou clubes de jogos/apostas

Elementos cinematográficos

  • Fotografia em preto-e-branco, ou em cores lavadas (não-saturadas)
  • Ângulos baixos de filmagens, ângulos incomuns e técnicas expressionistas de fotografia
  • Seqüências e efeitos visuais incomuns
  • Cenários noturnos e interiores sombrios
  • Uso de narração

Elementos temáticos

  • Senso de fatalismo
  • Obsessão sexual/romântica
  • Corrupção social ou humanitária inerente
  • Emboscadas

Elementos de roteiro

  • Roteiro intrincado
  • Uso de flashbacks
  • Sobreposições narrativas
  • Presença do protagonista em praticamente todas as cenas
  • História contada sob perspectiva criminal
  • Assassinato ou roubo como centro da história
  • Falsas acusações
  • Traição
  • Inevitabilidade do fracasso do protagonista
  • Final em aberto ou ambíguo
Agora que leram essa resenha assistam “Os Intocaveis” tenho certeza de que irão perceber a grande semelhança com a Estética Noir.



terça-feira, 30 de novembro de 2010

Síntese de filmes – Aula de Estética do Audiovisual

Síntese de filmes – Aula de Estética do Audiovisual
(Textos retirados e adaptados de sites e comentários sobre o assunto)
 
Fabio Viviurka Correia
 
 
1. Os doze condenados (1967 - Robert Aldrich)

            Em março de 1944, pouco antes da invasão da Normandia pelas tropas aliadas, o Alto Comando Americano decide realizar uma verdadeira missão suicida, cuja finalidade é fazer o maior número de baixas de oficiais nazistas que se acham reunidos, com suas amantes, num castelo francês. 
            De acordo com o plano pré-estabelecido, o grupo salta de pára-quedas por trás das linhas inimigas e inicia a operação de tomar o castelo e matar seus ocupantes, principalmente os oficiais nazistas.  A batalha é muito dura, com várias baixas, mas a missão é finalmente cumprida.
            Os sobreviventes tornam-se heróis e têm suas fichas limpas.  Os mortos recebem a distinção de terem sacrificado suas vidas em combate pela pátria.
            Baseado na obra de E. M. Nathanson, "Os Doze Condenados" é um dos mais populares filmes sobre a 2ª Guerra Mundial.  As cenas de combate são muito bem coreografadas.
 
2. Disque M para Matar (1964 - Alfred Hitchcock)
 
Considerado por alguns críticos como um filme menor do mestre Alfred Hitchcok, Disque M Para Matar, é na verdade, um ótimo exemplar de seu gênero. Adaptado por Frederick Knott de uma peça de sua própria autoria, o filme explora com louvor a claustrofobia de um pequeno apartamento, ao mesmo tempo que desenvolve uma trama macabra de asassinato.
Ao melhor estilo Agatha Christie, com ótimo clima de mistério e diálogos impressionantes, Alfred Hitchcock faz de seu espaço (constituído basicamente de dois cenários) ambientes suficientes para demonstrar o talento habitual.
Hitchcock conseguiu capturar perfeitamente a ideia de Knott – sem deixar que o efeito teatral comprometesse a atmosfera mórbida e inquietante presente em outros filmes que dirigiu. Acaba transcendendo a obviedade do assassinato e revelando aspectos da personalidade dos envolvidos – que resvalam entre o ressentimento, a falsidade e o ódio.
 
3. Pierrot le fou (Jean-Luc Godard)
Pierot Le Fou (O Demônio das Onze Horas) é uma adaptação da novela Obsession, do norte-americano Lionel White.Um enorme e forte ensaio sobre as condições humanas, sobre as fronteiras do que é real e o que é ficção.
"Pierot" é o espelho de um Godard contestador, engaijado em um cinema que fosse em direção oposta ao estabilishment da época.
            Godard utiliza em seu "Pierot" de várias referências à Poesia e ao Cinema.Há instantes que para tratar da relação entre "Pierot" (Ferdinand) e Marianne, Godard utiliza-se do lirismo do melodrama e do musical, em seguida, utiliza do interlúdio para nomear e anunciar as sequências( fuga, espera, ódio, amor, perigo...).
           Tudo isso faz parte de seu experimentalismo, auxilia na aproximação com o real, e faz com que a trama a construa o carater pertubador de Pierrot.
           O Roteiro de "Pierot" segue o mesmo caminho de experimentalismo. A narrativa é fragmentada, cria expectativas sobre o que acontecia, ao mesmo tempo em que compõe a unidade da trama.
 
4. O Homem com a Câmera (1929 - Dziga Vertov)
 
Esse filme significa a ruptura com a linguagem literária e da dramaturgia, descarta o cinema passado, propõe um cinema visionário que se deslumbra com as novas tecnologias à época, com o cinema como necessidade, essência e ato.
A lembrança daquele tempo é captada pela câmera na condição de narrador, que por sua vez, se faz funcional pela manipulação de um olhar humano, seria uma mutação entre o homem e a máquina.
São testadas inúmeras possibilidades técnicas que se poderia fazer com a câmera naqueles tempos, o efeito é uma colagem de imagens, aceleradas, reduzidas, recortadas e etc. Tem-se a seguinte visão: a parte pelo todo. Então, a partir de escolhas deliberadas apresenta-nos vários tipos de planos e seqüências, ora feitos da forma mais simples de captação de um momento, ora de forma ilusionista, condiciona-nos a uma interpretação diferenciada da realidade. Ainda, faz com a música, um orgânico encaixe entre som e imagem. Vertov se posiciona como um apêndice da câmera, como se a máquina tomasse forma mítica, um ser que tudo olha.
 
5. Casablanca (1942 – Michael Curtiz)
 
Lançado em 1943, Casablanca teve uma aceitação mais que compreensível. Desejosos pelo fim da Segunda grande Guerra Mundial, o público foi tomado de imediata empatia pela história do casal que luta para deixar a Europa rumo aos Estados Unidos e por sua perseverança na defesa de ideais – não que o filme denote qualquer pretensão nesse sentido. Pode-se dizer até, que Casablanca é um filme simples.
Bogart, na pele do ex-amante, é magnético em cena: capaz de se mostrar mais cativante a cada falha de caráter que revela, é responsável em boa parte pela genialidade dos diálogos, insuflados de acidez e humor negro. Ingrid, dona de beleza e gestual tão clássicos como quaisquer outros elementos do filme, brilha, quase que literalmente, no competente trabalho de fotografia em preto e branco. No elenco de coadjuvantes, outro ponto forte do filme, Claude Rains, como o chefe de polícia local, rouba a cena e suscita uma delicada questão ao final do filme, no tocante a sexualidade de Rick. Será que ele é?
Da fumaça de cigarro onipresente à trilha sonora inconfundível de Max Steiner, passando-se pela imortalizada frase “Toque, Sam.”: Casablanca é um ícone definitivo da cultura cinematográfica. Só Deus sabe quantas vezes a canção As Times Goes By, serviu de referência romântica desde então.
 
 
6. O Nascimento de uma Nação (1915 - D. W. Griffith)
 
É um dos filmes mais populares da era do cinema mudo. É bastante importante devido a suas inovações técnicas. Porém, ele glorifica a escravatura e justifica a segregação racial, em linha com o movimento intelectual denominado Lost Cause. Ao mostrar um grupo de brancos linchando um negro que praticara um crime, de maneira aprovativa, o filme afirma e promove o contexto cultural para o aparecimento da Ku Klux Klan, que liderou grupos de brancos vestindo lençóis brancos ao linchamento dos afro-americanos.
Muito controverso, o filme dirigido por D. W. Griffith foi baseado nas novelas de Thomas Dixon The Clansman e The Leopard's Spots. Ele foi lançado em 1915 e é creditado por garantir o futuro dos longa-metragens e solidificar os símbolos da linguagem cinematográfica.
O nascimento de uma nação foi pioneiro em várias técnicas como o close-up facial, a focalização profunda, que são consideradas fundamentais para a indústria atual de cinema. Também contém várias inovações cinemáticas, efeitos especiais, e técnicas artísticas, incluindo uma sequência colorida no final.
 
 
7. Outubro (1928 - Sergei Eisenstein)
 
Esse filme é o resultado da aplicação de um novo método de montagem elaborado pelo diretor, denominado de "montagem intelectual". Esse método visava a cinematização de conceitos abstratos, de fenômenos intelectuais e de teses logicamente formuladas. Uma película não teria por objetivo a narração de acontecimentos, mas sim de sistemas de noções que seriam apreendidos pelo espectador através do esforço intelectual, auxiliado por estimulantes visuais, auditivos e bio-motores. O grande sonho de Eisenstein, no que concerne ao cinema intelectual, era realizar um filme que retratasse nas telas O Capital de Marx, o que nunca foi permitido por Stalin.
            Outubro apresenta ao espectador alguns episódios que marcaram o período compreendido entre fevereiro e outubro de 1917. A participação do Partido Bolchevique é destacada, mas seu papel não é exaltado. A única liderança que se destaca é a de Lenin. Stalin não aparece no filme nenhuma vez.
            Não obstante toda a pressão do Partido e a posição contrária da crítica, Outubro é uma película com muitos aspectos positivos. O espírito do internacionalismo socialista, ponto crucial nas discussões da época e tão combatido por Stalin, está presente em toda a obra. O papel das massas ainda é apresentado como essencial para o processo revolucionário. 

 
8. O encouraçado Potemkin (1925 – Sergei Eisenstein)
 
Pode parecer idiota você afirmar hoje que, ao colocar dois planos juntos, completamente diferentes, em seqüência, eles criam um sentido conseqüente, dialogando com o seu público (montagem dialética), mas, para a época, cheia de planos gerais ou mega-ultra-closes, a idéia foi uma inovação importantíssima para o cinema.
Talvez a cena mais famosa do longa não seja a melhor – refiro-me à Escadaria de Odessa, onde vários cidadãos são cruelmente assassinados por Cossacos (perceba no jogo de câmera inteligentemente utilizado para o diretor tomar parte no conflito; as vítimas, sempre em close, os malvados, sempre escondidos nas sombras) e, no meio do conflito, desce um carrinho de bebê pelos degraus.
Digo isso porque o filme é lotado de grandes momentos, grandes passagens, tanto técnicas quanto dramáticas. Não é preciso entender muito de cinema para ver os grandes movimentos ousados que Eisenstein faz com o seu brinquedo chamado câmera: diversas panorâmicas, elevações (com destaque para a que dá dimensão à fila do corpo velado por causa da sopa).
O modo como Eisenstein prepara seu público para os acontecimentos é digno de uma análise mais cuidadosa. Sempre pensando na melhor maneira de dramatizar suas passagens, o diretor cria diversos momentos de tensão para valorizar as explosões chaves de seu roteiro.
 
9. Alexandre Nevski (1938 - Sergei Eisenstein)
 
Rússia, primeira metade do século XIII. Em um momento difícil da sua história o país é invadido em uma frente pelos cavaleiros teutônicos e por outra frente pelos tártaros. Como resultado, a pátria é saqueada e a moral da população fica bem baixa. Finalmente, o deprimido e instável príncipe Alexander Yaroslavich Nevsky (Nikolai Cherkasov) é chamado para liderar seu povo na luta contra os opressores.
Com este filme Eisenstein abandonou de certa forma o seu estilo tradicional partindo para seu primeiro trabalho para o grande público. Após um longo período de fracassos e de uma longa estadia no exterior, este filme trouxe-lhe a glória que há tanto tempo lhe era devida.
Neste trabalho conjunto com Prokofjev ele aprofunda-se na integração do som e da imagem. O trabalho de câmara é de Eduard Tissé.
 
10. Tempos Modernos (1936 – Charles Chaplin)
 
Trata-se do último filme mudo de Chaplin, que focaliza a vida urbana nos Estados Unidos nos anos 30, imediatamente após a crise de 1929, quando a depressão atingiu toda sociedade norte-americana, levando grande parte da população ao desemprego e à fome.
           A figura central do filme é Carlitos, o personagem clássico de Chaplin, que ao conseguir emprego numa grande indústria, transforma-se em líder grevista conhecendo uma jovem, por quem se apaixona. O filme focaliza a vida do na sociedade industrial caracterizada pela produção com base no sistema de linha de montagem e especialização do trabalho. É uma crítica à "modernidade" e ao capitalismo representado pelo modelo de industrialização, onde o operário é engolido pelo poder do capital e perseguido por suas idéias "subversivas".
          Em sua Segunda parte o filme trata das desigualdades entre a vida dos pobres e das camadas mais abastadas, sem representar contudo, diferenças nas perspectivas de vida de cada grupo. Mostra ainda que a mesma sociedade capitalista que explora o proletariado, alimenta todo conforto e diversão para burguesia. Cenas como a que Carlitos e a menina órfã conversam no jardim de uma casa, ou aquela em que Carlitos e sua namorada encontram-se numa loja de departamento, ilustram bem essas questões.
         
11. Cidadão Kane (1941 – Orson Welles)
 
Com pouco mais de 20 anos, Orson Welles dirigiu, produziu e roteirizou uma das maiores obras-primas da história do cinema.
 O modo como a história é contada foi uma revolução para a época, por causa da narrativa não-linear. É necessário a atenção do espectador para colocar em ordem tudo o que o filme está apresentando. Nunca um filme havia utilizado tal sistema de flashbacks antes (sim, flashbacks já haviam sido usados, mas nunca dessa forma, assíncrona, para construir a história; eram utilizados apenas para esclarecê-la).
Logo na cena de abertura, onde vemos o portão em primeiro plano e o castelo no segundo, é o primeiro aspecto técnico impressionante, afinal, era a primeira vez que a profundidade de campo era usada intencionalmente em um filme. Orson Welles trabalhou, durante toda sua duração (e brincando nesse começo), sobre a importância do que acontecia em primeiro e em segundo plano. Ele e seu Cidadão Kane foram os grandes responsáveis por talvez o recurso mais comum hoje em dia no cinema. Impossível um filme não se aproveitar dessa técnica. Outro ponto legal é a passagem do exterior do castelo para o interior, com a fusão de películas e um longo travelling. Isso era outro fator inédito, esses movimentos com a câmera, até então nunca utilizados. Se Griffith inventou a linguagem cinematográfica, foi Welles que a aperfeiçoou e deu as ferramentas para todos os diretores trabalharem com ela.
A fotografia é outro fator importantíssimo para o filme. Ao contrário do Expressionismo Alemão, que utilizava das sombras para tornar o protagonista parte do cenário, Gregg Toland (o fotógrafo do filme) utilizou o jogo de luz e sombras para dar o clima dark que queria. Sempre que Kane ia revelando seu lado negro, fazendo suas peripécias somente pensando em si, a sombra dominava o cenário, geralmente o encobrindo. O enquadramento foca tanto os primeiros planos como os segundos, sempre jogando com isso, diversas vezes mostrando o teto dos cenários, brincando com o tamanho aparente e seus egos no momento.
 
12. O Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964 – Glauber Rocha)
"Vou contar uma história, na verdade, é imaginação. Abra bem os seus olhos pra enxergar com atenção. É coisa de Deus e Diabo, lá nos confins do sertão.”
É um dos filmes mais representativos do Cinema Novo – corrente artística liderada por Glauber Rocha fundado na metade da década de 50 – que era composto em sua maioria por jovens cineastas.Tinha como principal influência o Neo-Realismo Italiano e a Nouvelle-Vague Francesa. Com orçamentos baixos, a principal proposta era fazer filmes anti-industriais, bárbaros e polêmicos. É possível identificar também a influência de Sartre e de Eisenstein (encouraçado Potemkin).
Considerado por muitos como o melhor filme brasileiro, Deus e o Diabo na Terra do Sol exemplifica bem a personalidade de Glauber. Um sujeito ambíguo, complicado, perturbado, controverso. Mandado ao exílio pelos militares, traiu a esquerda, e apoiou Geisel. Posteriormente traiu os militares e ninguém mais o queria. Muito polêmico, conseguiu a admiração de críticos e cineastas.
Eu parti do texto poético. A origem de Deus e o Diabo é uma língua metafórica, a literatura de cordel. No Nordeste, os cegos, nos circos, nas feiras, nos teatros populares, começam uma história cantando: eu vou lhes contar uma história, que é de verdade e de imaginação, ou então, que é imaginação verdadeira. Toda minha formação foi feita nesse clima. A idéia do filme me veio espontaneamente."
 
 
13. Ladrões de bicicleta (1948 – Vittorio de Sica)
 
É um dos filmes integrantes do Neo-Realismo, movimento originário na Itália no meio dos anos 40 que contava histórias de conseqüências da guerra, ou então resistências durante a mesma. O diretor Era o homem das emoções, o que ia direto aos corações italianos.
Vale citar que, por causa do medo da imagem que a Itália tinha com o que os filmes mostram, os neo-realistas sofriam diversas repressões, o que levou todos os diretores a abandonar esse estilo de filmar pouco depois. Diversas pessoas são mostradas desesperadas, atrás de emprego, fazendo qualquer coisa. Mostra-se também o mercado negro, representado pelo mercado de bicicletas, e o desespero humano, até onde uma pessoa pode chegar. Aliás, é nisso que o filme se baseia, na degradação humana pela necessidade, em busca do que hoje para muitos pode ser banal. O desespero de forma crua e imprevisível, tudo com o toque sentimental inconfundível De Sica à obra.
A cena em que Ricci consegue sua bicicleta e sai para o primeiro dia de trabalho é antológica. Só de lembrar da música eu me arrepio, a felicidade era completamente expressada na cena, a esperança de um futuro melhor, tudo. E a fotografia tem um papel importantíssimo na obra, além da música. Com o decorrer do filme, ambos vão ficando cada vez mais pessimistas, escuros, fúnebres. O clímax se desfaz com mais uma cena antológica, inesquecível, não há como não sentir pena do personagem.
 
14. Roma Cidade Aberta (1945 – Roberto Rossellini)
 
É um filme sobre a segunda grande guerra que não se foca em atos grandiosos de heroísmo ou mesmo em figuras carimbadas do conflito, atendo-se aos “heróis desconhecidos”, pessoas comuns que sofreram com a ocupação alemã na metrópole italiana.
O filme se passa no ano de 1944. Somos apresentados ao “engenheiro” Giorgio Manfredi (Marcello Pagliero), na verdade um membro proeminente de uma das organizações de resistência à invasão estrangeira. Manfredi está fugindo de um grupo de soldados nazistas, já que os homens do exército hitlerista haviam descoberto sua identidade real. Ao conseguir escapar, ele logo manda notícias a sua amante habitual, e se prepara para sair da cidade.
Rosselini conduz seu filme com segurança. Contando com parcos recursos, já que a maioria dos estúdios foram destruídos durante a guerra, o cineasta teve de batalhar muito para ver o longa concluído. Tal esforço pode ser reconhecido nas diversas cenas externas, filmadas com um preciosismo único para a época, inclusive com uma belíssima fotografia.
O diretor mostra o melhor de sua forma em uma dramática seqüência que culmina na ruína do enlace entre Pina e Francesco. Tocante, real e devastadora, a cena é uma das mais fortes da produção e é emblemática para as dificuldades que aquelas figuras reais passaram.
Chocante e devastador, “Roma, Cidade Aberta” é um dos melhores retratos em película do pesado período da Segunda Guerra Mundial, mostrando que, não importa quem vença um conflito, a família e os indivíduos sempre saem perdendo.
 
15. Os intocáveis (1987 – Brian De Palma)
 
Em 1987, o diretor conseguiu aliar um elenco impressionante, uma reconstrução de Chicago linda, um roteiro delicioso (baseado em fatos reais) e, principalmente, apuro técnico que poucas vezes viu-se no cinema. Hoje em dia esse filme entra em qualquer lista de melhores filmes sobre a Máfia.
Um agente federal fracassado que junta um grupo formado por um tira novato, um contabilista desajeitado e um policial veterano, com o objetivo de derrubar o poderoso Al Capone? A diferença de forças é gritante. Quase risível.
A cena da escadaria na estação ferroviária, onde os personagens de Costner e Garcia aguardam a chegada do livreiro de Al Capone (que está prestes a ser executado pelos seus comparsas) é um orgasmo técnico do diretor (em homenagem ao Encouraçado Potemkin). Planos, utilização da câmera lenta, utilização do som, ritmo...
Aspectos técnicos mais comuns também são um bom destaque do filme. Principalmente a fotografia e a trilha sonora. O filme conta com uma boa variação de cenas entre uma Chicago suja à noite e boas cenas diurnas. O estilo de De Palma é sempre marcante, sobretudo quando ele investe em boas tomadas de longos travellings.