segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Estética no filme “Os intocáveis” de Brian de Palma.


Por Jessica Sardinha

Os intocáveis, filme dirigido por Brian de Palma (Dalha Negra) e escrito por David Mamet (Hannibal) com trilha sonora de Enio Morricone  com Robert De Niro no papel do famoso gangster Al Capone.
É um celebre filme, conhecido e premiado pelo mundo a fora.
“A história se passa em Chicago nos anos 30, epóca da lei seca. Eliot Ness (Kevin Costner) é um agente federal encarregado de capturar o gângster Al Capone (Robert De Niro), mas suas tentativas são sempre pífias, graças também a corrupção existente dentro da polícia. Após ser humilhado pelos jornais por suas frustradas apreensões, Ness reúne um pequeno grupo de homens confiáveis e incorruptíveis para realizar a tarefa.
Jim Malone (Sean Connery) é o mentor de Ness, um experiente policial que se junta ao grupo disposto à ajudá-lo. George Stone (Andy Garcia) é um italiano que acaba de ingressar na Academia e por último, Oscar Wallace (Charles Smith), um contador responsável por analisar se Al Capone vinha omitindo informações financeiras em seu imposto de renda.
As atuações são fantásticas. De Niro rouba a cena, interpretando Al Capone cheio de sarcasmo e crueldade, ele e Sean Connery dão um show todas as vezes que aparecem em cena. Kevin Costner fez um ótimo papel, demonstrando as fragilidades e humanidade do seu personagem, isso em um tempo onde ainda tinha uma grande carreira. Charles Smith serve como peça cômica na históra e finalizando com Andy Garcia ainda no início de carreira, mas mostrando a que veio.”
(fonte: Flávio Vieira 8 - agosto - 2010 para o site Vortex Cultural)


Sua estética se baseia na film noir (estilo francês bem comum entre as décadas de 40 e 50 do século passado)

Film Noir é um estilo de filme que retrata seus personagens centrais como anti-herois, normalmente antipáticos e cínicos.
Derivado de romances do inicio do século 20 e de filmes de terror da década de 30 , a estética do film noir se consolida no inicio da década de 40 sendo apresentada com maior freqüência em filmes policiais, como é o caso de “Os Intocáveis” . Oriundo de pesquisas na área da pintura e nos princípios da fotográfica, a estética do Film Noir é baseada em fortes contrastes de luz e sombra, sem cores muito vivas . Seus personagens principais normalmente tem um caráter duvidoso e seus personagens secundários não tem muita profundidade.
 Os ambientes são comumente realistas urbanos, ruas sujas, tempos de violência e segregação racial.

A estética do Film Noir é conhecida principalmente por seus dramas inteligentes enredados por tramas que envolvem paranóia, desconfiança e cinismo.
O Film Noir tem como característica estética o uso de sombras dramáticas, alto contraste e muitos deles não são filmados em estúdio, é bem comum utilizar a locação de referência para fazer a cena. Normalmente esses filmes se passam em ambientes fechados ou a noite, dando um maior ar de mistério a trama. Seus ângulos de câmera tendem a não ser nada convencionais, utilizando cenas filmadas através do espelho por exemplo.
Elementos comuns a Film Noir

Personagens

  • Femme fatale
  • Protagonistas moralmente ambíguos
  • Protagonistas alienados
  • Bode expiatório
  • Personagens violentos ou corruptos

Ambientes

  • Ambiente urbano
  • Ambiente contemporâneo
  • Locações exóticas ou remotas
  • Casas noturnas e/ou clubes de jogos/apostas

Elementos cinematográficos

  • Fotografia em preto-e-branco, ou em cores lavadas (não-saturadas)
  • Ângulos baixos de filmagens, ângulos incomuns e técnicas expressionistas de fotografia
  • Seqüências e efeitos visuais incomuns
  • Cenários noturnos e interiores sombrios
  • Uso de narração

Elementos temáticos

  • Senso de fatalismo
  • Obsessão sexual/romântica
  • Corrupção social ou humanitária inerente
  • Emboscadas

Elementos de roteiro

  • Roteiro intrincado
  • Uso de flashbacks
  • Sobreposições narrativas
  • Presença do protagonista em praticamente todas as cenas
  • História contada sob perspectiva criminal
  • Assassinato ou roubo como centro da história
  • Falsas acusações
  • Traição
  • Inevitabilidade do fracasso do protagonista
  • Final em aberto ou ambíguo
Agora que leram essa resenha assistam “Os Intocaveis” tenho certeza de que irão perceber a grande semelhança com a Estética Noir.



terça-feira, 30 de novembro de 2010

Síntese de filmes – Aula de Estética do Audiovisual

Síntese de filmes – Aula de Estética do Audiovisual
(Textos retirados e adaptados de sites e comentários sobre o assunto)
 
Fabio Viviurka Correia
 
 
1. Os doze condenados (1967 - Robert Aldrich)

            Em março de 1944, pouco antes da invasão da Normandia pelas tropas aliadas, o Alto Comando Americano decide realizar uma verdadeira missão suicida, cuja finalidade é fazer o maior número de baixas de oficiais nazistas que se acham reunidos, com suas amantes, num castelo francês. 
            De acordo com o plano pré-estabelecido, o grupo salta de pára-quedas por trás das linhas inimigas e inicia a operação de tomar o castelo e matar seus ocupantes, principalmente os oficiais nazistas.  A batalha é muito dura, com várias baixas, mas a missão é finalmente cumprida.
            Os sobreviventes tornam-se heróis e têm suas fichas limpas.  Os mortos recebem a distinção de terem sacrificado suas vidas em combate pela pátria.
            Baseado na obra de E. M. Nathanson, "Os Doze Condenados" é um dos mais populares filmes sobre a 2ª Guerra Mundial.  As cenas de combate são muito bem coreografadas.
 
2. Disque M para Matar (1964 - Alfred Hitchcock)
 
Considerado por alguns críticos como um filme menor do mestre Alfred Hitchcok, Disque M Para Matar, é na verdade, um ótimo exemplar de seu gênero. Adaptado por Frederick Knott de uma peça de sua própria autoria, o filme explora com louvor a claustrofobia de um pequeno apartamento, ao mesmo tempo que desenvolve uma trama macabra de asassinato.
Ao melhor estilo Agatha Christie, com ótimo clima de mistério e diálogos impressionantes, Alfred Hitchcock faz de seu espaço (constituído basicamente de dois cenários) ambientes suficientes para demonstrar o talento habitual.
Hitchcock conseguiu capturar perfeitamente a ideia de Knott – sem deixar que o efeito teatral comprometesse a atmosfera mórbida e inquietante presente em outros filmes que dirigiu. Acaba transcendendo a obviedade do assassinato e revelando aspectos da personalidade dos envolvidos – que resvalam entre o ressentimento, a falsidade e o ódio.
 
3. Pierrot le fou (Jean-Luc Godard)
Pierot Le Fou (O Demônio das Onze Horas) é uma adaptação da novela Obsession, do norte-americano Lionel White.Um enorme e forte ensaio sobre as condições humanas, sobre as fronteiras do que é real e o que é ficção.
"Pierot" é o espelho de um Godard contestador, engaijado em um cinema que fosse em direção oposta ao estabilishment da época.
            Godard utiliza em seu "Pierot" de várias referências à Poesia e ao Cinema.Há instantes que para tratar da relação entre "Pierot" (Ferdinand) e Marianne, Godard utiliza-se do lirismo do melodrama e do musical, em seguida, utiliza do interlúdio para nomear e anunciar as sequências( fuga, espera, ódio, amor, perigo...).
           Tudo isso faz parte de seu experimentalismo, auxilia na aproximação com o real, e faz com que a trama a construa o carater pertubador de Pierrot.
           O Roteiro de "Pierot" segue o mesmo caminho de experimentalismo. A narrativa é fragmentada, cria expectativas sobre o que acontecia, ao mesmo tempo em que compõe a unidade da trama.
 
4. O Homem com a Câmera (1929 - Dziga Vertov)
 
Esse filme significa a ruptura com a linguagem literária e da dramaturgia, descarta o cinema passado, propõe um cinema visionário que se deslumbra com as novas tecnologias à época, com o cinema como necessidade, essência e ato.
A lembrança daquele tempo é captada pela câmera na condição de narrador, que por sua vez, se faz funcional pela manipulação de um olhar humano, seria uma mutação entre o homem e a máquina.
São testadas inúmeras possibilidades técnicas que se poderia fazer com a câmera naqueles tempos, o efeito é uma colagem de imagens, aceleradas, reduzidas, recortadas e etc. Tem-se a seguinte visão: a parte pelo todo. Então, a partir de escolhas deliberadas apresenta-nos vários tipos de planos e seqüências, ora feitos da forma mais simples de captação de um momento, ora de forma ilusionista, condiciona-nos a uma interpretação diferenciada da realidade. Ainda, faz com a música, um orgânico encaixe entre som e imagem. Vertov se posiciona como um apêndice da câmera, como se a máquina tomasse forma mítica, um ser que tudo olha.
 
5. Casablanca (1942 – Michael Curtiz)
 
Lançado em 1943, Casablanca teve uma aceitação mais que compreensível. Desejosos pelo fim da Segunda grande Guerra Mundial, o público foi tomado de imediata empatia pela história do casal que luta para deixar a Europa rumo aos Estados Unidos e por sua perseverança na defesa de ideais – não que o filme denote qualquer pretensão nesse sentido. Pode-se dizer até, que Casablanca é um filme simples.
Bogart, na pele do ex-amante, é magnético em cena: capaz de se mostrar mais cativante a cada falha de caráter que revela, é responsável em boa parte pela genialidade dos diálogos, insuflados de acidez e humor negro. Ingrid, dona de beleza e gestual tão clássicos como quaisquer outros elementos do filme, brilha, quase que literalmente, no competente trabalho de fotografia em preto e branco. No elenco de coadjuvantes, outro ponto forte do filme, Claude Rains, como o chefe de polícia local, rouba a cena e suscita uma delicada questão ao final do filme, no tocante a sexualidade de Rick. Será que ele é?
Da fumaça de cigarro onipresente à trilha sonora inconfundível de Max Steiner, passando-se pela imortalizada frase “Toque, Sam.”: Casablanca é um ícone definitivo da cultura cinematográfica. Só Deus sabe quantas vezes a canção As Times Goes By, serviu de referência romântica desde então.
 
 
6. O Nascimento de uma Nação (1915 - D. W. Griffith)
 
É um dos filmes mais populares da era do cinema mudo. É bastante importante devido a suas inovações técnicas. Porém, ele glorifica a escravatura e justifica a segregação racial, em linha com o movimento intelectual denominado Lost Cause. Ao mostrar um grupo de brancos linchando um negro que praticara um crime, de maneira aprovativa, o filme afirma e promove o contexto cultural para o aparecimento da Ku Klux Klan, que liderou grupos de brancos vestindo lençóis brancos ao linchamento dos afro-americanos.
Muito controverso, o filme dirigido por D. W. Griffith foi baseado nas novelas de Thomas Dixon The Clansman e The Leopard's Spots. Ele foi lançado em 1915 e é creditado por garantir o futuro dos longa-metragens e solidificar os símbolos da linguagem cinematográfica.
O nascimento de uma nação foi pioneiro em várias técnicas como o close-up facial, a focalização profunda, que são consideradas fundamentais para a indústria atual de cinema. Também contém várias inovações cinemáticas, efeitos especiais, e técnicas artísticas, incluindo uma sequência colorida no final.
 
 
7. Outubro (1928 - Sergei Eisenstein)
 
Esse filme é o resultado da aplicação de um novo método de montagem elaborado pelo diretor, denominado de "montagem intelectual". Esse método visava a cinematização de conceitos abstratos, de fenômenos intelectuais e de teses logicamente formuladas. Uma película não teria por objetivo a narração de acontecimentos, mas sim de sistemas de noções que seriam apreendidos pelo espectador através do esforço intelectual, auxiliado por estimulantes visuais, auditivos e bio-motores. O grande sonho de Eisenstein, no que concerne ao cinema intelectual, era realizar um filme que retratasse nas telas O Capital de Marx, o que nunca foi permitido por Stalin.
            Outubro apresenta ao espectador alguns episódios que marcaram o período compreendido entre fevereiro e outubro de 1917. A participação do Partido Bolchevique é destacada, mas seu papel não é exaltado. A única liderança que se destaca é a de Lenin. Stalin não aparece no filme nenhuma vez.
            Não obstante toda a pressão do Partido e a posição contrária da crítica, Outubro é uma película com muitos aspectos positivos. O espírito do internacionalismo socialista, ponto crucial nas discussões da época e tão combatido por Stalin, está presente em toda a obra. O papel das massas ainda é apresentado como essencial para o processo revolucionário. 

 
8. O encouraçado Potemkin (1925 – Sergei Eisenstein)
 
Pode parecer idiota você afirmar hoje que, ao colocar dois planos juntos, completamente diferentes, em seqüência, eles criam um sentido conseqüente, dialogando com o seu público (montagem dialética), mas, para a época, cheia de planos gerais ou mega-ultra-closes, a idéia foi uma inovação importantíssima para o cinema.
Talvez a cena mais famosa do longa não seja a melhor – refiro-me à Escadaria de Odessa, onde vários cidadãos são cruelmente assassinados por Cossacos (perceba no jogo de câmera inteligentemente utilizado para o diretor tomar parte no conflito; as vítimas, sempre em close, os malvados, sempre escondidos nas sombras) e, no meio do conflito, desce um carrinho de bebê pelos degraus.
Digo isso porque o filme é lotado de grandes momentos, grandes passagens, tanto técnicas quanto dramáticas. Não é preciso entender muito de cinema para ver os grandes movimentos ousados que Eisenstein faz com o seu brinquedo chamado câmera: diversas panorâmicas, elevações (com destaque para a que dá dimensão à fila do corpo velado por causa da sopa).
O modo como Eisenstein prepara seu público para os acontecimentos é digno de uma análise mais cuidadosa. Sempre pensando na melhor maneira de dramatizar suas passagens, o diretor cria diversos momentos de tensão para valorizar as explosões chaves de seu roteiro.
 
9. Alexandre Nevski (1938 - Sergei Eisenstein)
 
Rússia, primeira metade do século XIII. Em um momento difícil da sua história o país é invadido em uma frente pelos cavaleiros teutônicos e por outra frente pelos tártaros. Como resultado, a pátria é saqueada e a moral da população fica bem baixa. Finalmente, o deprimido e instável príncipe Alexander Yaroslavich Nevsky (Nikolai Cherkasov) é chamado para liderar seu povo na luta contra os opressores.
Com este filme Eisenstein abandonou de certa forma o seu estilo tradicional partindo para seu primeiro trabalho para o grande público. Após um longo período de fracassos e de uma longa estadia no exterior, este filme trouxe-lhe a glória que há tanto tempo lhe era devida.
Neste trabalho conjunto com Prokofjev ele aprofunda-se na integração do som e da imagem. O trabalho de câmara é de Eduard Tissé.
 
10. Tempos Modernos (1936 – Charles Chaplin)
 
Trata-se do último filme mudo de Chaplin, que focaliza a vida urbana nos Estados Unidos nos anos 30, imediatamente após a crise de 1929, quando a depressão atingiu toda sociedade norte-americana, levando grande parte da população ao desemprego e à fome.
           A figura central do filme é Carlitos, o personagem clássico de Chaplin, que ao conseguir emprego numa grande indústria, transforma-se em líder grevista conhecendo uma jovem, por quem se apaixona. O filme focaliza a vida do na sociedade industrial caracterizada pela produção com base no sistema de linha de montagem e especialização do trabalho. É uma crítica à "modernidade" e ao capitalismo representado pelo modelo de industrialização, onde o operário é engolido pelo poder do capital e perseguido por suas idéias "subversivas".
          Em sua Segunda parte o filme trata das desigualdades entre a vida dos pobres e das camadas mais abastadas, sem representar contudo, diferenças nas perspectivas de vida de cada grupo. Mostra ainda que a mesma sociedade capitalista que explora o proletariado, alimenta todo conforto e diversão para burguesia. Cenas como a que Carlitos e a menina órfã conversam no jardim de uma casa, ou aquela em que Carlitos e sua namorada encontram-se numa loja de departamento, ilustram bem essas questões.
         
11. Cidadão Kane (1941 – Orson Welles)
 
Com pouco mais de 20 anos, Orson Welles dirigiu, produziu e roteirizou uma das maiores obras-primas da história do cinema.
 O modo como a história é contada foi uma revolução para a época, por causa da narrativa não-linear. É necessário a atenção do espectador para colocar em ordem tudo o que o filme está apresentando. Nunca um filme havia utilizado tal sistema de flashbacks antes (sim, flashbacks já haviam sido usados, mas nunca dessa forma, assíncrona, para construir a história; eram utilizados apenas para esclarecê-la).
Logo na cena de abertura, onde vemos o portão em primeiro plano e o castelo no segundo, é o primeiro aspecto técnico impressionante, afinal, era a primeira vez que a profundidade de campo era usada intencionalmente em um filme. Orson Welles trabalhou, durante toda sua duração (e brincando nesse começo), sobre a importância do que acontecia em primeiro e em segundo plano. Ele e seu Cidadão Kane foram os grandes responsáveis por talvez o recurso mais comum hoje em dia no cinema. Impossível um filme não se aproveitar dessa técnica. Outro ponto legal é a passagem do exterior do castelo para o interior, com a fusão de películas e um longo travelling. Isso era outro fator inédito, esses movimentos com a câmera, até então nunca utilizados. Se Griffith inventou a linguagem cinematográfica, foi Welles que a aperfeiçoou e deu as ferramentas para todos os diretores trabalharem com ela.
A fotografia é outro fator importantíssimo para o filme. Ao contrário do Expressionismo Alemão, que utilizava das sombras para tornar o protagonista parte do cenário, Gregg Toland (o fotógrafo do filme) utilizou o jogo de luz e sombras para dar o clima dark que queria. Sempre que Kane ia revelando seu lado negro, fazendo suas peripécias somente pensando em si, a sombra dominava o cenário, geralmente o encobrindo. O enquadramento foca tanto os primeiros planos como os segundos, sempre jogando com isso, diversas vezes mostrando o teto dos cenários, brincando com o tamanho aparente e seus egos no momento.
 
12. O Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964 – Glauber Rocha)
"Vou contar uma história, na verdade, é imaginação. Abra bem os seus olhos pra enxergar com atenção. É coisa de Deus e Diabo, lá nos confins do sertão.”
É um dos filmes mais representativos do Cinema Novo – corrente artística liderada por Glauber Rocha fundado na metade da década de 50 – que era composto em sua maioria por jovens cineastas.Tinha como principal influência o Neo-Realismo Italiano e a Nouvelle-Vague Francesa. Com orçamentos baixos, a principal proposta era fazer filmes anti-industriais, bárbaros e polêmicos. É possível identificar também a influência de Sartre e de Eisenstein (encouraçado Potemkin).
Considerado por muitos como o melhor filme brasileiro, Deus e o Diabo na Terra do Sol exemplifica bem a personalidade de Glauber. Um sujeito ambíguo, complicado, perturbado, controverso. Mandado ao exílio pelos militares, traiu a esquerda, e apoiou Geisel. Posteriormente traiu os militares e ninguém mais o queria. Muito polêmico, conseguiu a admiração de críticos e cineastas.
Eu parti do texto poético. A origem de Deus e o Diabo é uma língua metafórica, a literatura de cordel. No Nordeste, os cegos, nos circos, nas feiras, nos teatros populares, começam uma história cantando: eu vou lhes contar uma história, que é de verdade e de imaginação, ou então, que é imaginação verdadeira. Toda minha formação foi feita nesse clima. A idéia do filme me veio espontaneamente."
 
 
13. Ladrões de bicicleta (1948 – Vittorio de Sica)
 
É um dos filmes integrantes do Neo-Realismo, movimento originário na Itália no meio dos anos 40 que contava histórias de conseqüências da guerra, ou então resistências durante a mesma. O diretor Era o homem das emoções, o que ia direto aos corações italianos.
Vale citar que, por causa do medo da imagem que a Itália tinha com o que os filmes mostram, os neo-realistas sofriam diversas repressões, o que levou todos os diretores a abandonar esse estilo de filmar pouco depois. Diversas pessoas são mostradas desesperadas, atrás de emprego, fazendo qualquer coisa. Mostra-se também o mercado negro, representado pelo mercado de bicicletas, e o desespero humano, até onde uma pessoa pode chegar. Aliás, é nisso que o filme se baseia, na degradação humana pela necessidade, em busca do que hoje para muitos pode ser banal. O desespero de forma crua e imprevisível, tudo com o toque sentimental inconfundível De Sica à obra.
A cena em que Ricci consegue sua bicicleta e sai para o primeiro dia de trabalho é antológica. Só de lembrar da música eu me arrepio, a felicidade era completamente expressada na cena, a esperança de um futuro melhor, tudo. E a fotografia tem um papel importantíssimo na obra, além da música. Com o decorrer do filme, ambos vão ficando cada vez mais pessimistas, escuros, fúnebres. O clímax se desfaz com mais uma cena antológica, inesquecível, não há como não sentir pena do personagem.
 
14. Roma Cidade Aberta (1945 – Roberto Rossellini)
 
É um filme sobre a segunda grande guerra que não se foca em atos grandiosos de heroísmo ou mesmo em figuras carimbadas do conflito, atendo-se aos “heróis desconhecidos”, pessoas comuns que sofreram com a ocupação alemã na metrópole italiana.
O filme se passa no ano de 1944. Somos apresentados ao “engenheiro” Giorgio Manfredi (Marcello Pagliero), na verdade um membro proeminente de uma das organizações de resistência à invasão estrangeira. Manfredi está fugindo de um grupo de soldados nazistas, já que os homens do exército hitlerista haviam descoberto sua identidade real. Ao conseguir escapar, ele logo manda notícias a sua amante habitual, e se prepara para sair da cidade.
Rosselini conduz seu filme com segurança. Contando com parcos recursos, já que a maioria dos estúdios foram destruídos durante a guerra, o cineasta teve de batalhar muito para ver o longa concluído. Tal esforço pode ser reconhecido nas diversas cenas externas, filmadas com um preciosismo único para a época, inclusive com uma belíssima fotografia.
O diretor mostra o melhor de sua forma em uma dramática seqüência que culmina na ruína do enlace entre Pina e Francesco. Tocante, real e devastadora, a cena é uma das mais fortes da produção e é emblemática para as dificuldades que aquelas figuras reais passaram.
Chocante e devastador, “Roma, Cidade Aberta” é um dos melhores retratos em película do pesado período da Segunda Guerra Mundial, mostrando que, não importa quem vença um conflito, a família e os indivíduos sempre saem perdendo.
 
15. Os intocáveis (1987 – Brian De Palma)
 
Em 1987, o diretor conseguiu aliar um elenco impressionante, uma reconstrução de Chicago linda, um roteiro delicioso (baseado em fatos reais) e, principalmente, apuro técnico que poucas vezes viu-se no cinema. Hoje em dia esse filme entra em qualquer lista de melhores filmes sobre a Máfia.
Um agente federal fracassado que junta um grupo formado por um tira novato, um contabilista desajeitado e um policial veterano, com o objetivo de derrubar o poderoso Al Capone? A diferença de forças é gritante. Quase risível.
A cena da escadaria na estação ferroviária, onde os personagens de Costner e Garcia aguardam a chegada do livreiro de Al Capone (que está prestes a ser executado pelos seus comparsas) é um orgasmo técnico do diretor (em homenagem ao Encouraçado Potemkin). Planos, utilização da câmera lenta, utilização do som, ritmo...
Aspectos técnicos mais comuns também são um bom destaque do filme. Principalmente a fotografia e a trilha sonora. O filme conta com uma boa variação de cenas entre uma Chicago suja à noite e boas cenas diurnas. O estilo de De Palma é sempre marcante, sobretudo quando ele investe em boas tomadas de longos travellings.
 

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

"A Contribuição de Eisenstein Para a Evolução da Montagem Cinematográfica"




Por Jessica Sardinha
Pós-Graduação em Audiovisual
PUC-PR 2010



Serguei Mikhailovitch Eisenstein nasceu na cidade de Riga na Letônia em 23 de janeiro de 1898, oriundo da classe média foi fazer faculdade de Engenharia civil e arquitetura.
Durante seu tempo livre, ainda na adolescência, Eisenstein se dedicava aos estudos de Russo, inglês, Frances e desenho, além de estudar em uma espécie de curso preparatório para a faculdade de engenharia. Estudou também arte da renascença e freqüentou as produções teatrais vanguardistas de Meyerhold e Yevreinov.

Em 1918 se alistou ao Exercito Vermelho (exército da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, criado para defender o país durante a guerra civil russa) E durante esse período de milícia Eisenstein se dividia entre seus afazeres de soldado e ao estudo pleno de psicologia, teatro, filosofia e lingüística.
Em 1920 Eisenstein abandonou o exercito e ingressou na Academia Geral de Moscovo onde se juntou ao Teatro dos Trabalhadores Proletkult como desenhista de cenários e de guarda-roupa.
E assim. Ano após ano, Eisenstein foi se aproximando cada vez mais do seu destino.

                                                   





Após estudos aprofundados sobre as obras de Griffith ( de O Nascimento de uma Nação.) E sobre as experiências de montagem de Kuleshov ( inventor do  efeito Kuleshov) Eisenstein, que até então não era considerado um teórico do cinema faz seu primeiro curta : O Diário de Glumov e após mais alguns trabalhos lança seu manifesto. “Perspectivas” como consta no site http://cineclubebeloca.com.br/ :


“Através do manifesto “Perspectivas”, Eisenstein propõe a justaposição de imagens como uma maneira de expressão. Além disso, fez experimentos na linha de Pavlov, utilizando os recursos materiais do filme para explorar a biomecânica, como uma espécie de “espontaneidade condicionada”, testando a reação dos expectadores. Também introduziu a idéia de que o efeito provocado pela justaposição de imagens é maior do que a soma destas imagens, por isso valorizava tanto as montagens, introduzindo os pensamentos da dialética de Hegel nas suas produções e foi ele o grande construtor de conceitos abstratos partindo de elementos concretos.”


Juntamente com seu manifesto Eisenstein lança o celebre “O ENCOURAÇADO POTENKIM” , filme de 1925 qual foi pioneiro em vários sentidos. É o primeiro filme da história a fazer uso de efeitos especiais, usou contrastes e relações de corte, contrastes  e montagem que ainda hoje servem como base para a realização de filmes experimentais.

Eisenstein diz que as leis de construção do discurso interior são base para a construção das leis e das formas que regem a composição das obras de arte.
Isso porque toda criação formal se baseia num processo de pensamento por imagens sensoriais. A noção inicial de dado tema é traduzida para uma cadeia de imagens sensoriais.
Usando a montagem dialética (criada por David Griffith) e aprimorando-a

 “Eisentein interpreta a dualidade da montagem paralela de uma outra forma, onde o resultado do choque entre planos é o ponto fulcral e não as imagens isoladas per se. Utilizando os termos originais da dialética hegeliana e da marxista, os dois primeiros planos, enquanto tese e antítese respectiva, originam uma síntese, criada individualmente na mente do espectador.” (VIVEIROS,Paulo, Portugal-2003)

O apelo estético e sentimental da montagem dialética de Eisenstein, iniciou o sistema de “montagem cinematográfica” (processo que consiste em selecionar, ordenar e ajustar os planos de um filme ou outro produto audiovisual a fim de alcançar o resultado desejado - seja em termos narrativos, informativos, dramáticos, visuais, experimentais, etc) e revolucionou todos os movimentos cinematográficos, e é amplamente usado todos os dias em todas as produções, pois é a partir daí que se constrói a narrativa cinematográfica atual.
Considerado o “pai” da Montagem cinematográfica, Sergei Eisenstein foi o precursor do Cinema como conhecemos, sendo considerado objeto de estudo por todas as Escolas Cinematográficas, tendo seus filmes e apelo visual estudados por Vertentes da Psicologia, Publicidade e tantas outras áreas do saber.

Referencias:
(acessadas em 11/11/2010)