segunda-feira, 19 de julho de 2010

Assassinos por Natureza e Cabo do Medo

Assassinos por Natureza, um drama psicopático, do emblemático Oliver Stone, baseado em uma história do aclamado Quentin Tarantino.
Enredo forte e intrigante, daqueles que nos fazem torcer pelos bandidos, e transforma-los em nossos heróis:

Sinopse:
Mickey Knox (Woody Harrelson) e Mallory Knox (Juliette Lewis) se uniram pelo desejo que um sente pelo outro e por amarem a violência. Eles mataram algumas dezenas de pessoas em 3 semanas, mas sempre deixam alguém vivo para contar quem fez os crimes. Mickey e Mallory viram atração através da imprensa sensacionalista e o repórter Wayne Gale (Robert Downey Jr.), o principal responsável, os coloca no programa de televisão American Maniacs. Mesmo a captura deles pela polícia só aumenta a popularidade enorme dos criminosos, o que motiva Gale em transformar tudo num grande circo.



Outro Filme que quero comentar hoje é mais um com a Juliette Lewis.
Cabo do Medo, com Direção do Magnifico Martin Scorcese e com uma vibrante e ameaçadora interpretação do mestre Robert De Niro.
 A Muito tempo um personagem ficcional me faz sentir tanta repulsa e medo ao mesmo tempo.
Sinopse:
Max Cady (Robert De Niro), um psicopata que foi preso e condenado por estupro 14 anos atrás, cumpriu sua pena e agora está livre. Ele pretende se vingar de Sam Bowden (Nick Nolte), seu ex-advogado, que deliberadamente omitiu informações que alterariam a decisão do júri. Ele pretende agora aterrorizar ao extremo Sam, Leigh Bowden (Jessica Lange), sua mulher, e Danielle (Juliette Lewis), sua filha adolescente, mas pretende fazer isto da forma mais legal possível, pois enquanto cumpria pena estudou todos os aspectos legais possíveis.







Esses dois roteiros me deixaram perplexa, fiquei analizando como os filmes da decada de 90 eram infinitamente superiores aos de hoje em dia, sem aparatos técnicos como os nossos, os filmes ficavam mais humanos,  sua essencia era mais vibrante, erros técnicos aos tubos, mas passam desapercebidos aos olhares menos treinados. Ambas as histórias são dramas sobre o universo transmutado de psicopatas, mas abordam o tema de maneiras distintas. Em cabo do medo De Niro é um psicopata assassino praticamente imortal, e assim como sua carne é imortal, sua maldade demoniaca também nos parece imortal, dando a ele um status de Semi-Deus, e ao final, não temos a certeza de que o filme acabou, pois não conseguimos conceber o fato dele ter sido vencido, pois sua maldade parece transgredir a própria morte.
Já em Assassinos por natureza, toda maldade e crueldade são minimizadas quando nos deparamos com a vida pregressa das personagens, é inadimissivel eu sei, mas torci por eles até o final, a cada instante pedia para que o final fosse diferente, para que eles deixassem aquela vida de crimes e vivessem a pureza do amor deles....

Realmente indico esses dois filmes com Julliete Lewis.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Uma Homenagem ao Brilhante Paulo Moura



 

1933

Em 15 de julho de 1932, na Cidade de São José do Rio Preto, interior do Estado de São Paulo,
nasce Paulo Moura, filho de Pedro Gonçalves de Moura e de Cesarina Cândida de Moura:

1941

Precocemente, aos nove anos, Paulo Moura pede para estudar música, encantado pelas fotos de seus irmãos nos programas dos shows dos Cassinos do Rio, regularmente enviadas para a família. Ganha do seu pai a primeira clarineta. 

1945

A família Moura chega ao Rio de Janeiro, para morar na Rua Barão de Mesquita 363 , na Tijuca.


1951

Primeiro trabalho de músico com carteira assinada: é contratado como primeiro saxofonista solista da Orquestra de Oswaldo Borba, pela Rádio Globo. Grava no estúdio da Odeon:

Três meses depois a orquestra se transferia para a TV Tupi, com um número reduzido de músicos.
Com o Prof. Paulo Silva aprende Harmonia, pagando aulas particulares com seus primeiros ordenados.

Ainda tocando na TV Tupi, Paulo Moura serve ao Exército na Cavalaria de Guarda de São Cristóvão
Participa, na RCA Victor, de gravações com Zaccharias e sua Orquestra, como primeiro saxofonista, acompanhando os cantores Nelson Gonçalves, Dircinha Batista, Núbia Laffayete, Carlos Galhardo e Gilberto Alves.

Toca sob a regência do Maestro Leonard Bernstein, que veio a Rio para conduzir e interpretar obras suas e de Gershwin ("Rapsody in Blue"): 

1952

Deixa a Orquestra de Oswaldo Borba e as gravações com a Orquestra do Maestro Zaccharias, para acompanhar a Orquestra de Ary Barroso ao México, em sua primeira viajem internacional com duração de dois meses. Na volta ao Rio de Janeiro, retoma os estudos de clarineta para diplomar-se na Escola Nacional de Música:

O Prof. Jayoleno dos Santos insiste para que Paulo Moura , já graduado em clarineta na Escola Nacional de Música, curse ainda um ano no Conservatório de Música de Niterói para obter o diploma de Professor de Clarineta.

Em concursos promovidos por Paulo Santos, apresentador dos programas "Concertos Sinfônicos" e "Em tempo de Jazz" da Radio Mec, Paulo Moura foi premiado como Melhor Clarinetista e Melhor Saxofonista: 

1953

Após a série de shows com Ary Barroso, no Teatro Lírico da Cidade do México, onde também se apresentava Agustín Lara (compositor de "Granada") – os dois grupos revezando-se em duas sessões por noite –, viajou para Nova Iorque com o trompestista Julio Barbosa:

1956

Essa notoriedade permitiu a Paulo Moura organizar sua primeira orquestra, para se apresentar na Rádio Jornal do Brasil, às segundas feiras à noite. Além dos 5 sax, 4 trompetes e 3 trombones, baixo e piano, a orquestra tinha como destaque o baterista Edson Machado e a guitarra elétrica de Durval Ferreira. Admirador das Orquestras de Zaccharias e de Severino Araújo, lideradas por clarinetistas, Paulo Moura, aos 23 anos, escrevia os arranjos, escolhia o repertório e ensaiava músicos que depois se tornariam, como ele, destaques da musica instrumental. Com esta orquestra fez alguns bailes em clubes e cobria as folgas da orquestra do "Dancing Brasil". Gravou um LP de 33’ no Estúdio da Sinter, que se tornou Phonogram e depois Polygram: "Escolha e dance com Paulo Moura e sua Orquestra de Danças".

Paulo Moura percebe então que buscava um caminho já esgotado - as orquestras para dança nos moldes americanos do swing como as de Benny Goodman, Artie Shaw e Woody Herman:  

1957

É a época dos grandes maestros arranjadores da Radio Nacional: Lírio Panicalli, Radamés Gnatalli, Leo Peracchi, Guerra Peixe e Moacir Santos, e de músicos como o violonista Menezes, o baterista Luciano Perrone, Chiquinho do Acordeon e Jacó do Bandolim. Os irmãos mais velhos de Paulo Moura, José, Alberico e Waldemar, já eram contratados da Orquestra da Radio Nacional desde o início da década 50. Ali estavam os melhores músicos da cidade:  
 1958

Devido à grande quantidade de solicitações de arranjos para os cantores da Rádio Nacional, o maestro Moacir Santos começa a dividir a tarefa com seu aluno Paulo Moura, em quem percebe dedicação e empenho para desenvolver-se em todas as tarefas disponíveis para um músico profissional. Logo depois, segue aprimorando-se como arranjador com o Maestro Cipó.

Durante a Guerra Fria, época na qual Paulo Moura se profissionalizava, havia vários e dedicados simpatizantes da causa comunista na Rádio Nacional. Mas não era fácil manter um intercambio entre Brasil e Rússia, porque os músicos e cantores temiam o “fichamento pela censura” o que os impediria de obter posteriormente um eventual visto americano, e “ fazer a América” como a maioria sonhava. Por isso houve dificuldades na formação de um grupo de músicos para acompanhar os cantores Nora Ney, Jorge Goulart, Dolores Duran, Maria Helena Raposo numa excursão pelo território soviético. Paulo Moura resolve enfrentar o desafio: torna-se diretor musical e regente da jazz band com 3 trompetes, 2 trombones, 1 flauta, 5 saxofones, 15 violinos, 3 violas, 2 cellos, bateria, piano, baixo e guitarra, com arranjos de Radamés Gnatalli, Maestro Gaya e de sua própria autoria.

O sax tenorista Moacyr Silva, seu colega na orquestra do Maestro Zaccharias, havia gravado um LP só com standards americanos pelo selo Musidisc, acompanhado por piano baixo e bateria. Um sucesso nas vitrolas em festas de casa de família, que sem recursos de contratar as grandes orquestras, deliciavam-se dançando aos pares ao som de Bob Fleming, pseudônimo que a gravadora sugeriu, para “americanizar” o seu produto fonográfico. De volta ao Brasil, é a vez de Paulo Moura, seguir este mesmo caminho: grava seu primeiro LP pela RCA, "Sweet Sax ", sem aceitar , no entanto, usar um pseudônimo americano. Os arranjos são dos Maestros Cipó, Gaya, Moacir Santos e Nelsinho: "Nel blue de pinto di blue", "Temptantion", "Out of nowhere" e temas do musical "My Fair Lady" são alguns dos hits do momento que fazem parte do repertório.

1959

Paulo Moura inicia sua trajetória no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde entra por concurso: ganha a vaga de clarinetista em primeiro lugar, executando a "Primeira Rapsódia" de Debussy. A partir de então torna-se um expert apaixonado do repertório erudito das salas de concerto, óperas e balés, tocando sob a regência de Eliazar de Carvalho, Karabtchevsky, Stravisnky, Leonard Bernstein, entre outros.
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O LP "Tangos e Boleros” é lançado pela gravadora Chantecler com seus solos no sax alto e clarineta sobre playbacks de gravações lançadas anteriormente por cantores, como Ângela Maria, Albertinho Fortuna e Nuno Roland.

Quando o Hotel Copabana Palace convida cantores americanos para seus shows no Golden Room, onde se apresentam com orquestras brasileiras arregimentadas por Moacir Silva, Paulo Moura é o primeiro saxofonista, acompanhando Lena Horn, Cab Calloway, Nat King Cole, Ella Fitzgerald, Sammy Davis Jr, Marlene Dietrich, entre outros. Devido ao acúmulo de atividades, passa a ter que indicar substitutos para honrar seus compromissos no Theatro Municipal e nas grandes orquestras populares. Esse dilema dura até 1978, quando Paulo Moura resolve se afastar da Orquestra do Theatro Municipal para dedicar-se exclusivamente à carreira solo.

1960

"Paulo Moura interpreta Radamés Gnatalli" é lançado com composições especialmente escritas para ele pelo excepcional maestro que o acompanha ao piano, ao lado de Pedro Vidal no contrabaixo, Trinca na bateria e Baden Powell no violão:

Paulo Tapajós, diretor da Radio Nacional e da gravadora Continental encarregou-se da gravação. Curiosamente, o lançamento deste LP acontece ao mesmo tempo, no mesmo dia e no mesmo programa de televisão da TV Tupi que o LP "Chega de Saudade" de João Gilberto. 

1962
Em Nova Iorque, nesta ocasião é gravado o LP "Cannonball Adderley e o Bossa Rio". Cannonbal Adderley era o mais destacado saxofonista alto jazzistico americano daquele período. 


Paulo Moura faz uma série de arranjos para Elis Regina , em seu primeiro LP, com destaque para as canções : "João Valentão" de Dorival Caymmi e "Menino das Laranjas" de Théo Lima.


1964
Sai, pela CBS, "Edison Machado é samba novo", uma das mais elogiadas gravações de bossa nova instrumental, com quatro faixas de Paulo Moura como arranjador, entre elas: "Só por amor".
Nasce Pedro, primeiro filho de Paulo Moura, em novembro de 1964. Seu nome homenageia o avô Pedro Moura.

1966

Inicia a estreita amizade com Wagner Tiso, a quem convida para integrar o quarteto do baterista Edison Machado, em subsituição à Osmar Milito, que deixava o grupo para viver em Los Angeles.

1968
Em apresentação inédita no Brasil, Paulo Moura e sua Orquestra de Música Popular trazem para uma sala de concerto, no Rio de Janeiro (Sala Cecília Meirelles), o "Ebony Concert" para jazz orchestra de Igor Stravinsky. 

1969

"Paulo Moura e quarteto" com Wagner Tiso, Luis Alves e Paschoal Meirelles é lançado pela gravadora Equipe, no momento em que há uma retomada da bossa nova, agora voltada para o público mais sofisticado e amante do jazz. A este mesmo grupo reúnem-se Oberdam Magalhães (sax tenor), Constâncio ( trombone) e Darcy da Cruz ( trompete), e como "Hepteto Paulo Moura" lança mais três LPs: "Mensagem", "Pilantocracia" e "Fibra". Neste último, Marcio Montarroyos substitui Darcy da Cruz e Robertinho fica no lugar de Paschoal Meirelles:

Estes trabalhos tinham intenção de dar seqüência a um som instrumental da bossa nova, inspirado na sonoridade dos Jazz Messangers e Horace Silver.

Regendo uma orquestra que incluía o seu Hepteto acrescido de 4 violas e 4 cellos, Paulo Moura acompanhando Maysa, estréia o primeiro show de música popular no Canecão, que até esse momento era apenas uma casa de dança com música ao vivo.  

1971

"Mandrake", parceria de Paulo Moura e Wagner Tiso, é sucesso de execução nas rádios do Rio de Janeiro.

Paulo Moura conduz a grande orquestra que acompanhou Milton Nascimento no show gravado ao vivo "Milagre dos Peixes", nos Teatro João Caetano (Rio) e no Theatro Municipal de São Paulo. 

1975

É convidado a reger a orquestra que acompanha Sergio Mendes numa temporada que se inicia no Teatro Manchete e se estende para o Theatro Municipal do Rio e Anhembi (São Paulo). 

1976

Destaque do ano: "Confusão Urbana Suburbana e Rural" é lançado pela RCA Victor, com produção de Martinho da Vila, com que Paulo Moura tocava pelo mundo afora. Este LP, considerado um marco da musica instrumental popular brasileira, fascina o público e a crítica especializada ao misturar percussão afro- suburbana a instrumentos de sopro de big bands e aos chorões. "Dia de Comício", "Carimbó do Moura", "Dois sem vergonha" com Wagner Tiso, e o "Tema do Zeca da Cuíca", com Tiso e Martinho, são de sua autoria. 

1978
A convite do Maestro Julio Medaglia escreve e rege ua peça para Orquestra Sinfônica e Bateria de Escola de Samba - Variações sobre Cartola, para a inauguração da cobertura da quadra da Estação Primeira da Mangueira 
Compõe a trilha sonora para o filme “A Lira do delírio” de Walter Lima Junior , também preenchida com trechos do LP "Confusão Urbana, Suburbana e Rural"
Ao lado de Waldyr Azevedo, Abel Ferreira, Zé da Velha, Joel Nascimento e Copinha participa das duas temporadas do "Choro na Praça", no Teatro João Caetano, registrado ao vivo pela Polygram.

1981

Paulo Moura grava o "Consertão" pela Kuarup , depois de extensa e bem sucedida temporada nacional com Arthur Moreira Lima no piano, Heraldo do Monte no violão e o trovador baiano Elomar Filgueira de Melo no vocal. 

1982

Para o "Festival da Paz", em Guadalupe, escreve "Diálogos para a paz mundial" com Alex Meirelles, pianista, que será posteriormente incluída em seu LP "Gafieira Etc e tal", gravado pela Kuarup.
Faz a direção musical do filme "O bom burguês", de Oswaldo Caldeira.
Com Arthur Moreira Lima, Raphael Rabello e Joel Nascimento lança o choro, em apresentação no Lincoln Center, em Nova Iorque.
O filme “Parahyba mulher macho” de Tizuka Yamazaki tem trilha sonora de sua autoria.
Estréia a "Gafieira do Circo Voador", no Arpoador (Rio), transferida posteriormente para a Lapa.
Destaca-se no Festival Internacional de Jazz de Berlin. 

1983

Paulo Moura inicia a arceria com Clara Sverner que se estende em apresentações pelo Brasil e pelo exterior, gravando juntos uma série de discos: "Encontro", "Vou vivendo", "Clara Sverner e Paulo Moura 
 interpretam Pixinguinha" e "Cinema Odeon", este último apenas em edição não comercial. 

1984

"Mistura e Manda", gravado pela Kuarup, torna-se uma referência nacional e internacional, tal como anteriormente "Confusão Urbana Suburbana e Rural", ao reunir um repertório dançante de Gafieira, com uma mescla de instrumentistas e gêneros musicais: Zé da Velha ( trombone), Mané do Cavaco(cavaquinho), Jorginho do Pandeiro, Maurício Carillho ( violão), Raphael Rabello (sete cordas), Cesar Farias (violão) e Joel do Nascimento ( bandolim). A esta formação tradicional de choro, Paulo Moura acrescenta mais dois cavaquinhos (Carlinhos do Cavaco e Jonas Pereira) e dois percussionistas (Neoci de Bonsucesso e Jovi Joviniano), registrando assim sua concepção de choro afro-brasileiro, "choro negro". 

1985

Em Juan-les-Pins, Antibes (sul da França), lidera uma banda formada por Zé da Velha (trombone), Raphael Rabello (sete cordas) e Jacques Morelenbaum (cello), na mesma noite que reuniu os shows de Tom Jobim e de João Gilberto.
Em parceria com Alex Meirelles e Paulo Muylaert, compõe a trilha sonora do filme "Rato Rei", de Silvio Auttuori. 

1986
Para gravar o CD "Gafieira Etc e Tal" pela Kuarup, Paulo Moura traz o grupo com o qual tocava nas Gafieiras do Parque Lage.
Apresenta-se no "Free Jazz Festival" e viaja para Paris, Nova Iorque, ampliando o conceito de musica de Gafieira, da qual torna-se a vertente contemporânea.
É arranjador, diretor de orquestra e solista convidado no programa "Um toque de classe" da TV Manchete, concebido e apresentado pelo pianista Arthur Moreira Lima. 

1988

No ano dedicado aos 100 anos de Abolição da Escravidão no Brasil, rege, a convite da Secretaria da Presidência da República, a Orquestra Sinfônica de Brasilia num programa comemorativo, na Sala Villa-Lobos, em Brasília, perante autoridades nacionais e internacionais; no repertório, uma peça de sua autoria, especialmente composta para a celebração, "Arredores da Lapa", tendo como solista o percussionista Reppolho.
Apresenta-se no "Olympia" de Paris com o repertorio do "Quarteto Negro", lançado pela Kuarup, do qual fazem parte Jorge Degas (baixo elétrico), Djalma Correia (percussão) e Zezé Motta (cantora e atriz).
Nelson Motta convida Paulo Moura para o primeiro show de lançamento de Marisa Monte, no Canecão. O encontro dos dois em “ Negro Gato” está registrado em DVD da cantora. 

Nasce Domingos, em 31 de julho de 1988, seu filho com Halina Grynberg 

1991

"Paulo Moura e Ociladocê interpretam Caymmi" é lançado pela Chorus Music e tem um belo clip produzido por Tizuka Yamazaki e seus alunos da CAL.
Compõe a trilha sonora de "Lindolfo Collor", um Especial da TVE. 

1992

"Rio Nocturne", produzido pela Messidor, é gravado na Alemanha, com a participação de Jorge Degas ( baixo) e do percussionista alemão Andréas Weiser, e apresentado no "Montreux Jazz Festival".
"Dois Irmãos", gravado com Raphael Rabello, é lançado pela Caju Music. Por esse CD de rara beleza que até hoje permanece inscrito nos catálogos internacionais de música, Paulo Moura recebe o Prêmio Sharp de Melhor Instrumentista Popular de 1992.
Rege a "Suíte Carioca", peça para Orquestra Sinfônica, grupo instrumental de jazz e coral de 150 vozes infantis, que compôs para a inauguração dos eventos da ECO-92 no Rio de Janeiro, a convite do prefeito Marcello Alencar. 

1996

O selo Tom Brasil lança "Paulo Moura e Wagner Tiso", uma compilação de interpretações ao vivo de ambos, realizadas durante as excursões da série "Brasil Instrumental CCBB".
Assume a presidência da Fundação Museu de Imagem e Som: 

1997

No filme "Navalha na Carne" de Neville de Almeida, tendo Vera Fisher como protagonista, Paulo Moura faz uma participação especial, interpretando um músico de rua no bairro de Santa Teresa.

O "Festival Internacional Paulo Moura" é criado em sua cidade natal, São José do Rio Preto, por iniciativa do prefeito Liberato Caboclo, carioca de nascimento e riopretense por adoção. Passam por este festival como convidados: a Orquestra Sinfônica Brasileira, a Orquestra de Câmara de Genebra, Wagner Tiso, Djavan, Leny Andrade, Oscar Castro Never, Paquito D’Rivera, entre outros. Dá nome a uma praça.
   
1998

Realiza "Paulo Moura visita Gershwin e Jobim", uma bem sucedida série de shows no Sesc Vila Mariana (São Paulo), Sala Cecília Meirelles (Rio de Janeiro) e nos Festivais de Jazz de Maceió e Tel Aviv (Israel). Nesse inusitado projeto musical, Paulo Moura revela os matizes negros dos dois grandes compositores/pianistas. A vertente judaica de Gershwin transparece nos arranjos "klezmer", feitos por Cliff Korman e Paulo Moura. O show é gravado ao vivo no estúdio do Sesc Vila Mariana. 

 1999

Gravado ao vivo, em apenas duas apresentações, no Teatro Carlos Gomes do Rio de Janeiro, o CD "Pixinguinha: Paulo Moura e os Batutas", lançado pelo selo Rob Digital, recebe o Premio Sharp de Melhor Grupo Instrumental e de Melhor Solista. A faixa "Urubu Malando" é incluída como tema do protagonista da novela "Torre de Babel", da TV Globo.
Com Cliff Korman, com o qual mantém sólida parceria, grava ao vivo, no Festival de Gênova, um repertório que reúne de Pixinguinha a Duke Ellington: o CD "Mood Ingênuo" é lançado na Europa e nos Estados Unidos. 

2000

Ganha o Primeiro Grammy Latino para Música de Raiz com seu trabalho "Pixinguinha: Paulo Moura e os Batutas” (Rob Digital).
Interpreta o papel de Zé Espinguela, músico popular que influenciou Villa-Lobos na sua aprendizagem de choro, no filme “Villa-Lobos uma vida de paixão”, de Zelito Viana. 

2001

Grava, pela Rob Digital, o CD "K-Ximblues", que vem a receber o Prêmio Rival-BR como melhor produção indepedente:

2003

É lançado, pelo Selo Rádio MEC, o CD "Estação Leopoldina", uma incursão de Paulo Moura pelo celeiro de sambas instrumentais dos subúrbios servidos pela rede ferroviária da Leopoldina, que é indicado ao Grammy de 2003. 

2004

O selo Biscoito Fino acolhe a parceria de Paulo Moura e Yamandu Costa em "El Negro Del Blanco".


2005

Paulo Moura recebe o Prêmio Tim de Melhor Solista Popular por sua interpretação no CD "El Negro Del Blanco".
Participa do documentário "Brasileirinho", dirigido por Mika Kaurismaki e produzido por Marco Forster, com enorme repercussão no Festival de Filmes de Berlim, e em Marseille, na França. 


2006
Este ano de 2006 sido pleno de experimentações bem sucedidas.
Em junho foi lançado pela Biscoito Fino o Cd "Dois Panos para Manga", onde Paulo Moura reune-se ao amigo de adolescência João Donato para um belíssimo passeio pelo repertorio do Sinatra Farney Fã Club. Resultado: um trabalho musical que chama atenção, desde o início, pelo contraste com as verdadeiras paredes sonoras da maior parte dos lançamentos mais recentes - inclusive de música instrumental. É um prazer diferente poder conferir as sutilezas, os silêncios, os sons e a simplicidade da união entre piano, clarineta, ressoando experiência e sensibilidade e plenos de virtuosismo.

Década de 50 recuperada, Paulo Moura lança-se ao futuro em "Samba de Latada", CD com Josildo Sá, canto ascendente da música popular de Pernambuco. Assim, em outubro é lançado este projeto, por enquanto apenas no NE, onde Paulo Moura toca como se estivesse animando um samba numa latada, numa noite enluarada num sítio no meio do mato "aparceirado" com Josildo Sá e sua esplendorosa voz sertaneja roufenha , o fraseado certeiro.
E agora, mais uma parceria. Com o jazzista americano apaixonado pela música Cliff Korman, temos o Gafieira Jazz. Como se Pixinguinha e Duke Ellington tivessem marcado um encontro no céu para uma jazz session regada à brasilidade - distribuído pela Rob Digital.







2007
Em maio de 2007 surpreende com o Cd Samba de Latada, trazendo o som dos sambas -forrós do sertão pernambuco para o cenário nacional, parceiro com a pesquisa e a voz do requintado forrozeiro Josildo Sá de Recife.

Tem 04 de seus trabalhos históricos reeditados> a Biscoito Fino relança em Cd os Sons de Caymmi enquanto a Atração Music inaugura a série Galeria com Hepteto, Quarteto e Fibra e a Livraria Fnac na Avenida Paulista em SP faz grande vitrine com estas capas, em sua homenagem. 

2008
A variedade de eventos marcantes deste ano confirma a versatilidade produtiva de Paulo Moura.
Em abril no Teatro St Isabel de Recife, é gravado pela TV Globo Nordeste, na série Projetos Especiais, o programa Samba de Latada. Dividindo a autoria do movimento com o cantor Josildo Sá, faz a direção musical do DVD. O programa foi veiculado em dezembro, pelas afiliadas Globo no nordeste do Brasil e no exterior.
O Cd Para cá e Pra Lá é indicado ao Grammy Latino 2008, na categoria de melhor Cd Instrumental.
A Atração Music lança: Pilantocracia. É o quarto Cd do revival da série de gravações realizadas em diferente selos, entre os anos de 1968 e 1974. Neste conjunto de obras Paulo Moura reformata as bases do Jazz Brasiliero Instrumental com repertório integralmente nacional, onde a percussão brasileira e seus desenhos ritmicos são o destaque nos arranjos.
Em outubro é agraciado com a Medalha de Honra ao Mérito Cultural, comenda da Presidência da República. Em seguida parte para uma turne em Israel com shows em Haifa e Tel-Aviv e lecionando workshops para estudantes do Conservatório e musicos profissionais.
A experiência de tocar com Paulo Moura, aprendendo a tradição da improvisação e a ritmica brasileira, e comparado-a aos standards americanos, faze a alegria dos jovens.
É Paulo Moura fazendo história.

2009
Paulo Moura excursiona para Tunísia e o Equador. Sua música é recebida com grande repercussão na imprensa internacional que o considera Embaixador da Musica Instrumental Brasileira.

Em julho lança o Cd AfroBossaNova, em parceria com o guitarrista baiano Armandinho ( Armando Macedo).
Musicalmente orignal, eis a definição do encarte:

"AfroBossaNova. É um amálgama, combinação tão estreita de elementos diferentes, que os tornamos inseparáveis. Quando nomeamos algo, lhe damos existência. E, no mesmo ato, lhe atribuímos qualidades (e talvez, defeitos) de algum outro ou de si mesmo. Fusão de sons e cores. Convocação. Inventamos, ao reinventar.

AfroBossaNova. Talvez seja uma forma de ver a paisagem. Pode ser o mar, as montanhas. As gentes.
É dia de festa com o sol. O barquinho desliza suavemente no macio azul do mar, ilhas do sul. Há uma calma neste verão entre Copacabana e Ipanema. Depois, o banquinho, um violão, o uisquinho de estimação, meu amor e uma canção. Esta chuviscando na roseira. Chuva boa, criadeira, molha a terra, enche o rio, limpa o céu, traz o azul. Menescal. Boscoli. Jobim. Vinícius. Nara Leão. E da janela vê-se o Corcovado, o Redentor. Que lindo!

Madrugada. Em barco negreiro, soprado ao ouvido o samba atravessou mares. Companheiro inseparável embriaga os sentidos. Dolente, rima sedução, aflição e gratidão ao santo que veio da Bahia. Vão jogar rosas no mar. Quem samba fica, quem não samba vai embora: ‘Abram alas para o morro.’ O tamborim e cem e mil vão batucar, a cidade toda vai cantar. Silas De Oliveira. José Bispo. Mano Décio. Tião Motorista. Jamelão. Valei-me Nossa Senhora, São Benedito. Que lindo!

Neste Cd tudo é deslocado: o tempo, o sotaque, os batuques. Menos o tom, que continua Jobim. E a rima, que é feita de palmas vivas aos instrumentistas. Temeridade. Coisa de craques.
O mouro Paulo, a translúcida clarineta, maestro do impossível, rege violinos e metais com a percussão de escolas de samba em salas de concertos refinadas, sussurra polirritmias em improvisos eruditos, enquanto desenha harmonias num sopro que traz pedacinhos do céu as pistas de gafieira.
Armando, herdeiro instrumental de Dodô e Osmar, um virtuose de face e cabelos claros, empunhando bandolim e sua guitarra baiana imprevisível, arrasta carnavais, Salvador afora, uma multidão/pipoca, reinando de cima de um caminhão onde o Trio é Elétrico e o som é matéria de alegria.

Convenção: bossa nova como fusão de samba com jazz west-coast é uma parte da lenda. A midiatizada. Aquela que relegou dos palcos e gravações os instrumentos do samba tradicional (pandeiro, cuíca, berimbau, agogô, congas, bandolim) e os instrumentistas de origem afro-brasileira.
Reparação: ritmos dos terreiros de candomblé e o jazz hard-bop revigoram a lírica de Jobim.
Confusão urbana, suburbana e inter-racial.

E o maestro soberano, Antonio Brasileiro, cai na farra."

Sucesso imediato de vendas. 
12/07/2010 - Morre.




Trechos Biográficos tirados do site: www.paulomoura.com

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Homenagem ao Dia Mundial do Rock

Como muitos sabem, amanhã, dia 13 de julho é o dia mundial do Rock. Mas poucos sabem de fato como ele surgiu.

Encontrei hoje através do Twitter, um post muito bacana que foi publicado no site Comotudofunciona.

Segue abaixo uma edição minimizada do que está no site. (que está bem mais completo e vale a pena conferir)


Os verdadeiros pais do rock

Caso o rock não seja realmente o filho pródigo do Diabo, ele tem inúmeros pais e diferentes datas de nascimento. A única certeza é sobre o seu local de concepção, gestação e parto: o sul dos Estados Unidos da América.
Uma das versões para o nascimento do rock diz que ele surgiu oficialmente com “(We’re Gonna) Rock Around the Clock”, gravada por Bill Halley & His Comets, em 1954, e escrita por compositores veteranos do Tin Pan Alley, distrito de Nova Iorque que reunia os escritórios dos compositores e editores de música e entretenimento.
A canção, que somente se tornaria um sucesso no ano seguinte, ao se transformar na canção-tema do filme “Sementes da Violência” (Blackboard Jungle, dirigido por Richard Brooks, 1955), era um autêntico rock'n'roll feito para brancos.
Mas três anos antes da gravação de “(We’re Gonna) Rock Around the Clock”, o Dominoes, o mais famoso grupo negro dos Estados Unidos na época, lançou “Sixty Minute Man”. Segundo o escritor e historiador Nick Tosches, este foi o primeiro disco realmente de rock'n'roll a entrar nas paradas de sucesso. Na verdade, desde os anos 40 a música popular negra norte-americana já se aproximava do rock'n'roll. Outro disco de autêntico rock lançado por um grupo negro em 1951, portanto três anos antes do rock branco de Bill Halley, foi “Rocket 88”, pela banda de Ike Turner. Mas tanto para o Dominoes quanto para Ike Turner, e tantos outros negros que já faziam rock’n’roll nos Estados Unidos, a cor da pele era um obstáculo para serem reconhecidos e conquistarem o mercado dominado por uma cultura branca e preconceituosa.
No entanto, tudo começaria a mudar em 5 de julho de 1954. Para muitos, esta é a verdadeira data do nascimento do rock. 
Nesse dia, Elvis Presley fez a sua primeira gravação profissional. Nos estúdios da Sun Records, em Memphis (EUA), o produtor Sam Phillips ouviu na voz do jovem cantor branco de 19 anos algo finalmente diferente. Duas semanas depois sairia o primeiro disco do futuro rei do rock com as canções “That’s All Right” e “Blue Moon of Kentucky”. Elvis conseguia aproximar as culturas negras e brancas, com sua voz, seu rebolado, seu estilo e suas influências do blues, do country e do Gospel.
Assim, o rock nasceu verdadeiramente em algum momento entre 1951 e 1954. Mas até chegar lá, houve um longo processo de gestação que começou na virada do século 19 para o 20, com os primeiros acordes do jazz de Nova Orleans e do blues do Delta do Mississipi. Nick Tosches mostra que o termo rock’n’roll começou a ser empregado na década de 20 em alguns blues com uma conotação claramente sexual, como na gravação do Southern Quartet para “My Man Rocks Me (With One Steady Roll)” – algo como “Meu Homem me Balança (Com um Ritmo Forte). Nas décadas seguintes o uso do termo como metáfora sexual ou como um ritmo sensual se espalhou e tornou-se popular entre os negros norte-americanos e comum nas canções de blues, jazz e jump-blues. Paralelamente, a música country começou também a caminhar em direção ao rock’n’roll. No começo dos anos 50, todos esses gêneros por diferentes caminhos já haviam se entrelaçado e constituído um novo e poderoso estilo na música popular.
O nome rock’n’roll, apesar de já conhecido entre os negros, somente se tornaria popular a partir do programa noturno de rádio “Moondog Rock and Roll Party”, do radialista Alan Freed, transmitido a partir de 1952, primeiro de Cleveland e depois de Nova Iorque.
Quando Freed transmitiu seu primeiro programa, os Estados Unidos, e depois os países sob a influência deste, eram terreno fértil para o novo ritmo. Além de dançante e sensual, o rock era rebelde o suficiente para agradar a uma nova classe de consumidores que emergia com a expansão econômica americana: os adolescentes. Os ganhos tecnológicos e econômicos logo após o fim da Segunda Guerra Mundial provocaram uma euforia consumista, que contagiou os adolescentes e os colocou na condição de consumidores de entretenimento, moda e artes.
Um pouco mais à frente, eles seriam também produtores nessas áreas. A adolescência constituiu-se então como um fenômeno cultural, identificada com a contestação dos valores dominantes, com o questionamento das autoridades dos pais e das instituições (família, escola, religião etc) e com a busca da liberdade em todos os campos, no amor, no sexo, na linguagem, no trabalho. O rock era perfeito como trilha sonora para a adolescência. Ele era profano, sensual, rebelde e provocativo o bastante para expressar todas as aspirações da juventude.

Para se aprofundar mais, acesse :http://lazer.hsw.uol.com.br/rock1.htm
E para os apreciadores do Rock Nacional: http://lazer.hsw.uol.com.br/melhores-rocks-nacionais.htm

E VIVA O ROCK N ROLL!!!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

"O Metodo" de Fernando Meirelles

Segue abaixo o Manifesto intitulado "O Método" de Fernando Meirelles:




O MÉTODO:
1 - No mundo digital não faz mais sentido nos referirmos as nossas tomadas como se fossem filmadas. Faremos uma nova claquete onde deve constar o tipo de camera, o número do cartão ao invés do rolo, o número do clipe gerado pela câmera no lugar do take e o número da cena como é hoje. Vamos manter um espaço para colocar o número de take de cada cena para quem achar que ajuda a rever o material no set.
Obs 1 - O número do clipe gerado pela câmera vem com umas letrinhas tipo AZX 023. O que vale é sempre o número final: 23.
Obs 2 - Cada câmera tem um padrão, a Silicom, por exemplo, dá a data e horário de cada take como um time code. Cabe ao ASSISTENTE DE DIREÇÃO, no set estabelecer qual número será usado por todos.
A primeira decisão: De hoje em diante todo mundo usa os mesmos números. O som direto canta a cena, o número do cartão e o número do clipe não mais a cena, o rolo, e o take. “- Cena 4, cartão 2, clipe 23…ação.”
2 - Vamos voltar aos anos 60 quando no set o diretor dizia ” copia essa”, ao final de cada take que lhe parecesse razoável. Agora o DIRETOR dirá “loga essa. ”
Esse é o momento mágico que vai fazer toda a diferença no volume que chegará ao montador.
A segunda decisão: Ao final de cada take o DIRETOR deve avisar o ASSISTENTE DE DIREÇÃO se o take rodado deve ser logado ou não. O ASSISTENTE DE DIREÇÃO escala alguém para fazer o relatório de câmera onde esta informação vai anotada ou faz isso pessoalmente. Assim que o cartão estiver cheio ele é entregue para o LOGGER junto com este relatório de câmera com o qual o LOGGER vai separar o material que vale do lixo. Cada cartão tem seu relatório.
3 - Os takes bons devem ser separados pelos LOGGERS numa pasta chamada “SELECT”. Esta pasta deve ser copiada num HD Vermelho chamado SELECT e este será o único material transferido para a ilha de montagem e depois arquivado em LTO.
Como segurança o material bruto também deve ser copiado pelo LOGGER num outro HD, laranja, chamado “BRUTO” que será guardado caso seja preciso ver mais material. Este bruto no entanto não passará por todo o processo de conformação, digitalização etc e será apagado assim que o filme for ao ar.
Cada HD deve ser mandado pelo PRODUTOR para a produtora acompanhado dos respectivos relatórios de filmagem. Na produtora haverá um coordenador destes arquivos que transfere o material do HD vermelho e deixa de lado o laranja.
A terceira decisão: O logger deve fazer duas pastas, o SELECT e o BRUTO. Cada pasta desta é copiada num HD diferente. Vermelho para o SELECT e LARANJA para o BRUTO. Só o HD vermelho faz todo o processo até as ilhas de edição e depois o arquivo em LTO. Os HDs devem sempre ser acompanhados dos relatórios de câmera.
4 - Com a gravação digital, muitos sets praticamente aboliram a palavra “corta”. Como a câmera só registra um novo número de clipe quando é cortada, apesar de ser chato, é fundamental que depois de cada erro diga-se “corta”, para que o que foi gravado até então, o lixo, seja jogado fora. Sem isso os clipes ficam imensos e dificultam muito todo o processo que se segue: Logar, conformar, digitalizar, montar e conformar para LTO para arquivar.
A quarta decisão: Corte sempre após cada erro ou entre cada novo take. Perde-se um tempinho no set fazendo claquete mas salva-se um tempão em todo o resto do processo e melhora a qualidade do trabalho do montador.
5 - Será cobrado de cada filme um valor por hora de material que chega na ilha de edição. Ao fazer o orçamento os diretores serão perguntados quantas horas de material querem ter na ilha, como no tempo do negativo.
obs: não estamos acrescentando um custo apenas separando este ítem do custo do resto do processo de pós.
A sexta decisão: Os filmes pagarão por hora de material transferidos para a ilha de edição
Observações finais:
- Este esquema vale para filmagens com uma câmera ou com múltiplas câmeras sempre que todas usem a mesma claquete e que sigam a ordem de cortar e logar dada pelo diretor. Nestes casos a claquete trará a informação de quais estão rodando a mesma cena, assim o montador sabe que tem a mesma imagem por outro ângulo.
- No caso de câmeras soltas que buscam imagens independentes do DIRETOR e do ASSISTENTE, passa a ser função do CÂMERA-MAN desta 5D ( ou seja qual sistema estiver sendo usado), no final de sua diária, entregar para o LOGGER junto com seu cartão, um relatório organizado de tudo o que fez com a indicação do que deve ser logado ou não. Isso dará mais trabalho aos CÂMERA-MEN-espírito-livre, mas também ajudará a disciplina-los ensinando-os a ser mais objetivos. Filmagem é uma coisa, pescaria é outra.


FONTE: BLOG DA O2.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

R.I.P Roberto Piva


Corpo do poeta Roberto Piva é cremado em São Paulo

Escritor morreu na tarde de sábado e estava internado desde maio no InCor.
Autor do livro 'Paranoia', ele ficou conhecido por sua poética urbana.

O corpo do poeta Roberto Piva foi cremado no começo da tarde deste domingo (4), no Crematório da Vila Alpina, em São Paulo. O corpo do escritor saiu do Cemitério do Araça às 11h, local onde estava desde o velório, realizado na noite desde sábado (3).
Piva morreu aos 72 anos de falência múltipla de órgãos em decorrência de uma insuficiência renal. Ele estava internado desde maio no InCor (Instituto do Coração) e tinha Mal de Parkinson há dez anos. Durante a própria internação, foi descoberto um câncer na próstata, em metástase.
Nascido em São Paulo, ele ganhou fama aos 22 anos com a publicação do livro "Paranoia", que retratava a capital paulista de maneira maldita, inspirada pelo movimento beatnik e pelo surrealismo. A obra ganhou reedição neste ano pela editora Instituto Moreira Salles.
O autor fez parte da geração de escritores, como Hilda Hist e Claudio Willer, descoberta pelo editor Massao Ohno. Durante sua carreira, o poeta destacou-se pela poética urbana. Suas obras foram divididas em três volumes e relançadas pela Editora Globo há cinco anos.

FONTE: G1

 


Quatro poemas pivianos


por Roberto Piva



I

As mãos invisíveis dedilham a canção sinistra
vibrando as fibras nervosas da medula
Os dentes mastigam o sem fim de peripaques nostálgicos
enquanto o mistério corre pela rua em chamas.

Aonde andará o poeta de pijama que escorrega e cai,
enquanto distraído sonha um mundo de estrelas?
Já não há céu, nem solo firme. Silencie-me! Silencie-me!
Sigo as labaredas memoráveis dos dias de luto e melancolia.

Quero a forma perfeita, o beijo, o cheiro do Apolo ruivo.
Sei da impossibilidade das horas, da complementaridade ilusória.
Olho o monte de esterco apodrecendo na vidraça entreaberta.
Janelas, penhascos, arranhásseis e corpos voadores de pedra.

Se a noite persegue minha vida, deposito monstros no aquário.
Os peixes caminham no asfalto e as mulheres usam gravatas.
Minha alma, meu desejo, minha imobilidade. Apenas eu!
Danço a quimera dos solitários e o presságio dos carecas.

Um poema, um segmento refratário. Não sei de mim.
As idéias são espasmos, e as palavras, coisa inútil.
Seria senil e insano se acreditasse no amanhã.
Vivo esse segundo que se arrasta, devorando-me.


II

O estrangeiro da legião de insetos
arrancou o grito de cólera e loucura
da boca arreganhada, não percebida,
do paranóico que mora nos ciclones

A bailarina, uma mulher pálida,
engole o último pedaço de vidro
arrebentado com a explosão atômica
de meus sonhos avulsos transtornados.

O erotismo atrapalhado do anão
que não mais se agüenta neste intervalo
de memórias e areias, noite e chamas.
Diminuindo cada vez mais, bactéria.

O uivo caminhando sobre a ponte imóvel.
O castelo e o muro dedilhados no quadro azul.
Sinto a introdução e o posfácio deste rio
que golpeia as paredes com mãos nuas.

O mínimo. O minúsculo. O quase nada.
Dedilhai as últimas notas vagas
que recordam a imagem deformada
do psicótico que caminha sobre o fio dental.


III

O corvo de pelúcia esfaqueado pelas costas
traz os olhos esbugalhados mirando a parede alada.
As estantes, as páginas comidas por traças,
adormecem na noite de meus surtos compulsivos.

Olhos imensos de um desenho de carvão negro
mãos em garras batendo teclas ideais.
O cheiro de perfume velho e asfixiante.
A teia de aranha presa entre os ossos mortos.

Lá fora, homens dirigem seus carros vagarosamente
seguindo as pernas nuas das mulheres prostitutas.
Enquanto corpos se misturam na madrugada convulsiva
de salões apertados, iluminados por rosas ensangüentadas.

Meus passos, meus ruídos, aquele rosto assimétrico.
Triunfa a idéia do parto cesariano sem anestesia.
A dançarina com suas vestes invisíveis
caminha no jardim de lâminas e gafanhotos.

Escreverei dez mil poemas ao poeta necropolitano
sem esperanças de ter meus sonhos confundidos
com o delírio e o êxtase do pai xamânico.
Sou urbano, sou quase cético. Morfina e sonhos.



IV

Dêem-me um anestésico. A vida dói e arde.
Não sei controlar meus impulsos demoníacos.
Não acredito em forças de outro mundo.
Sou eu, meus versos e o perigo das frações.

Arranco minhas víceras poéticas do ostracismo.
Trezentos dias e cinqüenta noites marianas.
O caracol de meus cabelos caídos no chão de espelhos.
O sangue e os olhos transformados em areia cinza.

A árvore sem galhos escondem os meninos saltimbancos.
Foi-se o tempo em que se acreditava nas histórias ditas.
Sempre começo pelo meio e jamais olho para os lados,
enquanto rio e sufoco meu próprio rosto turvo.

Minha maquiagem, os primeiros tombos das gaivotas.
Atiro farpas e pragas para antigos e mórbidos desejos.
A torre delirante de um neocórtex em latência,
ou o pedúnculo, ou o miocárdio, ou o octocentésimo.

Quatro poemas nos espaços angustiados do processo.
Sou eu? Sou ateu? De que me valem as respostas?!
As idéias me levam ao eterno estado de castidade
entrelaçado neste puro estado de sonho e malogro.
 QUE DEUS O TENHA

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Uma pequena reflexão.

Outro dia recebi um email do meu primo Eduardo, verdadeiramente muito bom, hoje me lembrei dele, e resolvi posta-lo aqui, para que seja de conhecimento público. Pois ao contrario do que muitos dizem Conselhos são bons e são melhores por serem gratuitos...

"Crie filhos em vez de herdeiros."

"Não eduque seus filhos para serem ricos, eduque-os para serem felizes, assim eles saberão o valor das coisas e não o seu preço"
 
"Dinheiro só chama dinheiro, não chama para um cineminha, nem para tomar um sorvete."
 
"Não deixe que o trabalho sobre sua mesa tampe a vista da janela."
 
"Não é justo fazer declarações anuais ao Fisco e nenhuma para quem você ama."
 
"Para cada almoço de negócios, faça um jantar à luz de velas."
 
"Por que as semanas demoram tanto e os anos passam tão rapidinho?"
 
"Quantas reuniões foram mesmo esta semana? Reúna os amigos."
 
"Trabalhe, trabalhe, trabalhe. Mas não se esqueça, vírgulas significam pausas..."
 
"...e quem sabe assim você seja promovido a melhor (   amigo   /   pai   /   mãe   /   filho   /   filha   /   namorada   /   namorado   /   marido   /   esposa   /   irmão   /   irmã.. etc.) do mundo!"
 

"Você pode dar uma festa sem dinheiro. Mas não sem amigos."