O documentário 'Nos olhos da esperança' produzidos por alunos de Rádio e TV do Centro Universitário Monte Serrat retrata uma história real e intensa de uma família de Praia Grande que tem o filho preso como suspeito do arrastão de 2008. Vídeo debate a criminalização da pobreza no Brasil
Ailton Martins, diretor do documentário, explica que o projeto surgiu de um dos integrantes do grupo de trabalho que conheceu a história por meio de familiares que conhecem a mãe do rapaz. "O grupo pesquisou sobre o caso junto à família e com o advogado que concedeu todo o processo e orientou sobre as arbitrariedades do caso. Com isso foi decidido construir um documentário com o objetivo de retratar os impactos gerados a família, e através disso discutir a criminalização da pobreza existente no Brasil".
O nome do documentário 'Nos olhos da esperança' é parte textual de uma carta que Jânio Nascimento da Silva enviou da prisão para sua mãe. "Achamos o nome totalmente adequado ao sentimento que a família estava imersa naqueles dias de dor, onde somente a fé e a esperança os mantinham firmes para continuarem vivendo. Além disso, era um nome qual não partiu de uma visão nossa, mas era uma perfeita representação da realidade vivida por eles", explica.
O documentário foi gravado em 2009 como trabalho de conclusão de curso (TCCC) de alunos de Rádio e TV do Centro Universitário Monte Serrat. As gravações aconteceram durante os meses de agosto e setembro, a edição e a finalização em outubro e novembro. A apresentação foi realizado no dia 31 de novembro de 2009.
Ficha técnica
Direção e roteiro: Ailton Martins
Assistente de direção: Jessica Sardinha
Produção executiva: Ayesca Carrião
Assistente de produção: Franciele Beatris
Câmeras: Felipe Trindade e Jessica Sardinha
Direção de fotografia: Felipe Trindade
Som direto: Ayesca Carrião
Edição e finalização: Felipe Trindade
Mais informações no blog 'Nos olhos da esperança' como: as considerações, de onde surgiu o nome, nosso recorte e posição ética, a representação da familia. Trecho do caso da família Silva
No dia vinte e três de novembro de 2008, Jânio Nascimento da Silva de vinte anos morador da cidade de Praia Grande foi preso por policiais na orla da praia. Os policiais que o abordaram justificaram o ato prisão dizendo que ele era um dos integrantes de um arrastão que havia acontecido algumas horas antes e foi identificado pelo sistema de monitoria de Praia Grande. Jânio disse para os policiais que estava acontecendo um engano. Duas senhoras que o conheciam e que estavam com ele, também tentaram argumentar com os policiais. No entanto, eles disseram que não poderiam fazer nada. Algemaram e o levaram para um posto de bombeiros para reconhecimento perante as vítimas e as testemunhas, depois o encaminhou a delegacia.
Na delegacia Jânio foi acusado de formação de quadrilha, corrupção de menor e roubo qualificado. No entanto, nenhuma vítima o reconheceu, Jânio não aparece nas gravações do sistema de monitoria de Praia Grande e mais, dois guarda-vidas que viram o arrastão e tentaram ajudar uma mulher que estava sendo assaltada, também não o reconheceram. Neste dia a polícia também levou outros menores que a monitoria indicou como participantes do arrastão. Todos esses menores foram reconhecidos, menos Jânio. Mas, mesmo assim foi lavrado um boletim em que Jânio é supostamente acusado de o responsável pelos delitos, por ser maior de idade, enquanto os outros eram menores de idade.
O pai de Jânio, Francisco Elias da Silva, ao saber da prisão foi à delegacia atrás do filho. Na delegacia disseram que não havia ninguém com o nome de Jânio preso. Rodando de uma delegacia a outra sem encontrar o filho, Francisco pediu ajuda para um amigo que era policial no Guarujá. Por fim, este amigo conseguiu a informação sobre onde estava Jânio. Disse que ele estava num corpo de bombeiros sendo identificado pelas vítimas e depois seria levado para a Delegacia de Polícia de Praia Grande da Vila Tupy. Quando chegou a delegacia novamente, Francisco tentou falar com a delegada Roberta Losada Correia, que não quis o receber, até que um policial disse que Jânio já estava no DP, mas que ele não veria o filho, pois o filho era maior de idade e responderia pelos atos. Francisco indagou que era o pai e que exigia ver o filho, mas o policial respondeu que ele agradecesse pelo filho estar vivo em vez de reclamar, depois do que ele fez, a polícia deveria ter o matado. Naquele dia Francisco voltou para casa sem ver o filho.