terça-feira, 30 de novembro de 2010

Síntese de filmes – Aula de Estética do Audiovisual

Síntese de filmes – Aula de Estética do Audiovisual
(Textos retirados e adaptados de sites e comentários sobre o assunto)
 
Fabio Viviurka Correia
 
 
1. Os doze condenados (1967 - Robert Aldrich)

            Em março de 1944, pouco antes da invasão da Normandia pelas tropas aliadas, o Alto Comando Americano decide realizar uma verdadeira missão suicida, cuja finalidade é fazer o maior número de baixas de oficiais nazistas que se acham reunidos, com suas amantes, num castelo francês. 
            De acordo com o plano pré-estabelecido, o grupo salta de pára-quedas por trás das linhas inimigas e inicia a operação de tomar o castelo e matar seus ocupantes, principalmente os oficiais nazistas.  A batalha é muito dura, com várias baixas, mas a missão é finalmente cumprida.
            Os sobreviventes tornam-se heróis e têm suas fichas limpas.  Os mortos recebem a distinção de terem sacrificado suas vidas em combate pela pátria.
            Baseado na obra de E. M. Nathanson, "Os Doze Condenados" é um dos mais populares filmes sobre a 2ª Guerra Mundial.  As cenas de combate são muito bem coreografadas.
 
2. Disque M para Matar (1964 - Alfred Hitchcock)
 
Considerado por alguns críticos como um filme menor do mestre Alfred Hitchcok, Disque M Para Matar, é na verdade, um ótimo exemplar de seu gênero. Adaptado por Frederick Knott de uma peça de sua própria autoria, o filme explora com louvor a claustrofobia de um pequeno apartamento, ao mesmo tempo que desenvolve uma trama macabra de asassinato.
Ao melhor estilo Agatha Christie, com ótimo clima de mistério e diálogos impressionantes, Alfred Hitchcock faz de seu espaço (constituído basicamente de dois cenários) ambientes suficientes para demonstrar o talento habitual.
Hitchcock conseguiu capturar perfeitamente a ideia de Knott – sem deixar que o efeito teatral comprometesse a atmosfera mórbida e inquietante presente em outros filmes que dirigiu. Acaba transcendendo a obviedade do assassinato e revelando aspectos da personalidade dos envolvidos – que resvalam entre o ressentimento, a falsidade e o ódio.
 
3. Pierrot le fou (Jean-Luc Godard)
Pierot Le Fou (O Demônio das Onze Horas) é uma adaptação da novela Obsession, do norte-americano Lionel White.Um enorme e forte ensaio sobre as condições humanas, sobre as fronteiras do que é real e o que é ficção.
"Pierot" é o espelho de um Godard contestador, engaijado em um cinema que fosse em direção oposta ao estabilishment da época.
            Godard utiliza em seu "Pierot" de várias referências à Poesia e ao Cinema.Há instantes que para tratar da relação entre "Pierot" (Ferdinand) e Marianne, Godard utiliza-se do lirismo do melodrama e do musical, em seguida, utiliza do interlúdio para nomear e anunciar as sequências( fuga, espera, ódio, amor, perigo...).
           Tudo isso faz parte de seu experimentalismo, auxilia na aproximação com o real, e faz com que a trama a construa o carater pertubador de Pierrot.
           O Roteiro de "Pierot" segue o mesmo caminho de experimentalismo. A narrativa é fragmentada, cria expectativas sobre o que acontecia, ao mesmo tempo em que compõe a unidade da trama.
 
4. O Homem com a Câmera (1929 - Dziga Vertov)
 
Esse filme significa a ruptura com a linguagem literária e da dramaturgia, descarta o cinema passado, propõe um cinema visionário que se deslumbra com as novas tecnologias à época, com o cinema como necessidade, essência e ato.
A lembrança daquele tempo é captada pela câmera na condição de narrador, que por sua vez, se faz funcional pela manipulação de um olhar humano, seria uma mutação entre o homem e a máquina.
São testadas inúmeras possibilidades técnicas que se poderia fazer com a câmera naqueles tempos, o efeito é uma colagem de imagens, aceleradas, reduzidas, recortadas e etc. Tem-se a seguinte visão: a parte pelo todo. Então, a partir de escolhas deliberadas apresenta-nos vários tipos de planos e seqüências, ora feitos da forma mais simples de captação de um momento, ora de forma ilusionista, condiciona-nos a uma interpretação diferenciada da realidade. Ainda, faz com a música, um orgânico encaixe entre som e imagem. Vertov se posiciona como um apêndice da câmera, como se a máquina tomasse forma mítica, um ser que tudo olha.
 
5. Casablanca (1942 – Michael Curtiz)
 
Lançado em 1943, Casablanca teve uma aceitação mais que compreensível. Desejosos pelo fim da Segunda grande Guerra Mundial, o público foi tomado de imediata empatia pela história do casal que luta para deixar a Europa rumo aos Estados Unidos e por sua perseverança na defesa de ideais – não que o filme denote qualquer pretensão nesse sentido. Pode-se dizer até, que Casablanca é um filme simples.
Bogart, na pele do ex-amante, é magnético em cena: capaz de se mostrar mais cativante a cada falha de caráter que revela, é responsável em boa parte pela genialidade dos diálogos, insuflados de acidez e humor negro. Ingrid, dona de beleza e gestual tão clássicos como quaisquer outros elementos do filme, brilha, quase que literalmente, no competente trabalho de fotografia em preto e branco. No elenco de coadjuvantes, outro ponto forte do filme, Claude Rains, como o chefe de polícia local, rouba a cena e suscita uma delicada questão ao final do filme, no tocante a sexualidade de Rick. Será que ele é?
Da fumaça de cigarro onipresente à trilha sonora inconfundível de Max Steiner, passando-se pela imortalizada frase “Toque, Sam.”: Casablanca é um ícone definitivo da cultura cinematográfica. Só Deus sabe quantas vezes a canção As Times Goes By, serviu de referência romântica desde então.
 
 
6. O Nascimento de uma Nação (1915 - D. W. Griffith)
 
É um dos filmes mais populares da era do cinema mudo. É bastante importante devido a suas inovações técnicas. Porém, ele glorifica a escravatura e justifica a segregação racial, em linha com o movimento intelectual denominado Lost Cause. Ao mostrar um grupo de brancos linchando um negro que praticara um crime, de maneira aprovativa, o filme afirma e promove o contexto cultural para o aparecimento da Ku Klux Klan, que liderou grupos de brancos vestindo lençóis brancos ao linchamento dos afro-americanos.
Muito controverso, o filme dirigido por D. W. Griffith foi baseado nas novelas de Thomas Dixon The Clansman e The Leopard's Spots. Ele foi lançado em 1915 e é creditado por garantir o futuro dos longa-metragens e solidificar os símbolos da linguagem cinematográfica.
O nascimento de uma nação foi pioneiro em várias técnicas como o close-up facial, a focalização profunda, que são consideradas fundamentais para a indústria atual de cinema. Também contém várias inovações cinemáticas, efeitos especiais, e técnicas artísticas, incluindo uma sequência colorida no final.
 
 
7. Outubro (1928 - Sergei Eisenstein)
 
Esse filme é o resultado da aplicação de um novo método de montagem elaborado pelo diretor, denominado de "montagem intelectual". Esse método visava a cinematização de conceitos abstratos, de fenômenos intelectuais e de teses logicamente formuladas. Uma película não teria por objetivo a narração de acontecimentos, mas sim de sistemas de noções que seriam apreendidos pelo espectador através do esforço intelectual, auxiliado por estimulantes visuais, auditivos e bio-motores. O grande sonho de Eisenstein, no que concerne ao cinema intelectual, era realizar um filme que retratasse nas telas O Capital de Marx, o que nunca foi permitido por Stalin.
            Outubro apresenta ao espectador alguns episódios que marcaram o período compreendido entre fevereiro e outubro de 1917. A participação do Partido Bolchevique é destacada, mas seu papel não é exaltado. A única liderança que se destaca é a de Lenin. Stalin não aparece no filme nenhuma vez.
            Não obstante toda a pressão do Partido e a posição contrária da crítica, Outubro é uma película com muitos aspectos positivos. O espírito do internacionalismo socialista, ponto crucial nas discussões da época e tão combatido por Stalin, está presente em toda a obra. O papel das massas ainda é apresentado como essencial para o processo revolucionário. 

 
8. O encouraçado Potemkin (1925 – Sergei Eisenstein)
 
Pode parecer idiota você afirmar hoje que, ao colocar dois planos juntos, completamente diferentes, em seqüência, eles criam um sentido conseqüente, dialogando com o seu público (montagem dialética), mas, para a época, cheia de planos gerais ou mega-ultra-closes, a idéia foi uma inovação importantíssima para o cinema.
Talvez a cena mais famosa do longa não seja a melhor – refiro-me à Escadaria de Odessa, onde vários cidadãos são cruelmente assassinados por Cossacos (perceba no jogo de câmera inteligentemente utilizado para o diretor tomar parte no conflito; as vítimas, sempre em close, os malvados, sempre escondidos nas sombras) e, no meio do conflito, desce um carrinho de bebê pelos degraus.
Digo isso porque o filme é lotado de grandes momentos, grandes passagens, tanto técnicas quanto dramáticas. Não é preciso entender muito de cinema para ver os grandes movimentos ousados que Eisenstein faz com o seu brinquedo chamado câmera: diversas panorâmicas, elevações (com destaque para a que dá dimensão à fila do corpo velado por causa da sopa).
O modo como Eisenstein prepara seu público para os acontecimentos é digno de uma análise mais cuidadosa. Sempre pensando na melhor maneira de dramatizar suas passagens, o diretor cria diversos momentos de tensão para valorizar as explosões chaves de seu roteiro.
 
9. Alexandre Nevski (1938 - Sergei Eisenstein)
 
Rússia, primeira metade do século XIII. Em um momento difícil da sua história o país é invadido em uma frente pelos cavaleiros teutônicos e por outra frente pelos tártaros. Como resultado, a pátria é saqueada e a moral da população fica bem baixa. Finalmente, o deprimido e instável príncipe Alexander Yaroslavich Nevsky (Nikolai Cherkasov) é chamado para liderar seu povo na luta contra os opressores.
Com este filme Eisenstein abandonou de certa forma o seu estilo tradicional partindo para seu primeiro trabalho para o grande público. Após um longo período de fracassos e de uma longa estadia no exterior, este filme trouxe-lhe a glória que há tanto tempo lhe era devida.
Neste trabalho conjunto com Prokofjev ele aprofunda-se na integração do som e da imagem. O trabalho de câmara é de Eduard Tissé.
 
10. Tempos Modernos (1936 – Charles Chaplin)
 
Trata-se do último filme mudo de Chaplin, que focaliza a vida urbana nos Estados Unidos nos anos 30, imediatamente após a crise de 1929, quando a depressão atingiu toda sociedade norte-americana, levando grande parte da população ao desemprego e à fome.
           A figura central do filme é Carlitos, o personagem clássico de Chaplin, que ao conseguir emprego numa grande indústria, transforma-se em líder grevista conhecendo uma jovem, por quem se apaixona. O filme focaliza a vida do na sociedade industrial caracterizada pela produção com base no sistema de linha de montagem e especialização do trabalho. É uma crítica à "modernidade" e ao capitalismo representado pelo modelo de industrialização, onde o operário é engolido pelo poder do capital e perseguido por suas idéias "subversivas".
          Em sua Segunda parte o filme trata das desigualdades entre a vida dos pobres e das camadas mais abastadas, sem representar contudo, diferenças nas perspectivas de vida de cada grupo. Mostra ainda que a mesma sociedade capitalista que explora o proletariado, alimenta todo conforto e diversão para burguesia. Cenas como a que Carlitos e a menina órfã conversam no jardim de uma casa, ou aquela em que Carlitos e sua namorada encontram-se numa loja de departamento, ilustram bem essas questões.
         
11. Cidadão Kane (1941 – Orson Welles)
 
Com pouco mais de 20 anos, Orson Welles dirigiu, produziu e roteirizou uma das maiores obras-primas da história do cinema.
 O modo como a história é contada foi uma revolução para a época, por causa da narrativa não-linear. É necessário a atenção do espectador para colocar em ordem tudo o que o filme está apresentando. Nunca um filme havia utilizado tal sistema de flashbacks antes (sim, flashbacks já haviam sido usados, mas nunca dessa forma, assíncrona, para construir a história; eram utilizados apenas para esclarecê-la).
Logo na cena de abertura, onde vemos o portão em primeiro plano e o castelo no segundo, é o primeiro aspecto técnico impressionante, afinal, era a primeira vez que a profundidade de campo era usada intencionalmente em um filme. Orson Welles trabalhou, durante toda sua duração (e brincando nesse começo), sobre a importância do que acontecia em primeiro e em segundo plano. Ele e seu Cidadão Kane foram os grandes responsáveis por talvez o recurso mais comum hoje em dia no cinema. Impossível um filme não se aproveitar dessa técnica. Outro ponto legal é a passagem do exterior do castelo para o interior, com a fusão de películas e um longo travelling. Isso era outro fator inédito, esses movimentos com a câmera, até então nunca utilizados. Se Griffith inventou a linguagem cinematográfica, foi Welles que a aperfeiçoou e deu as ferramentas para todos os diretores trabalharem com ela.
A fotografia é outro fator importantíssimo para o filme. Ao contrário do Expressionismo Alemão, que utilizava das sombras para tornar o protagonista parte do cenário, Gregg Toland (o fotógrafo do filme) utilizou o jogo de luz e sombras para dar o clima dark que queria. Sempre que Kane ia revelando seu lado negro, fazendo suas peripécias somente pensando em si, a sombra dominava o cenário, geralmente o encobrindo. O enquadramento foca tanto os primeiros planos como os segundos, sempre jogando com isso, diversas vezes mostrando o teto dos cenários, brincando com o tamanho aparente e seus egos no momento.
 
12. O Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964 – Glauber Rocha)
"Vou contar uma história, na verdade, é imaginação. Abra bem os seus olhos pra enxergar com atenção. É coisa de Deus e Diabo, lá nos confins do sertão.”
É um dos filmes mais representativos do Cinema Novo – corrente artística liderada por Glauber Rocha fundado na metade da década de 50 – que era composto em sua maioria por jovens cineastas.Tinha como principal influência o Neo-Realismo Italiano e a Nouvelle-Vague Francesa. Com orçamentos baixos, a principal proposta era fazer filmes anti-industriais, bárbaros e polêmicos. É possível identificar também a influência de Sartre e de Eisenstein (encouraçado Potemkin).
Considerado por muitos como o melhor filme brasileiro, Deus e o Diabo na Terra do Sol exemplifica bem a personalidade de Glauber. Um sujeito ambíguo, complicado, perturbado, controverso. Mandado ao exílio pelos militares, traiu a esquerda, e apoiou Geisel. Posteriormente traiu os militares e ninguém mais o queria. Muito polêmico, conseguiu a admiração de críticos e cineastas.
Eu parti do texto poético. A origem de Deus e o Diabo é uma língua metafórica, a literatura de cordel. No Nordeste, os cegos, nos circos, nas feiras, nos teatros populares, começam uma história cantando: eu vou lhes contar uma história, que é de verdade e de imaginação, ou então, que é imaginação verdadeira. Toda minha formação foi feita nesse clima. A idéia do filme me veio espontaneamente."
 
 
13. Ladrões de bicicleta (1948 – Vittorio de Sica)
 
É um dos filmes integrantes do Neo-Realismo, movimento originário na Itália no meio dos anos 40 que contava histórias de conseqüências da guerra, ou então resistências durante a mesma. O diretor Era o homem das emoções, o que ia direto aos corações italianos.
Vale citar que, por causa do medo da imagem que a Itália tinha com o que os filmes mostram, os neo-realistas sofriam diversas repressões, o que levou todos os diretores a abandonar esse estilo de filmar pouco depois. Diversas pessoas são mostradas desesperadas, atrás de emprego, fazendo qualquer coisa. Mostra-se também o mercado negro, representado pelo mercado de bicicletas, e o desespero humano, até onde uma pessoa pode chegar. Aliás, é nisso que o filme se baseia, na degradação humana pela necessidade, em busca do que hoje para muitos pode ser banal. O desespero de forma crua e imprevisível, tudo com o toque sentimental inconfundível De Sica à obra.
A cena em que Ricci consegue sua bicicleta e sai para o primeiro dia de trabalho é antológica. Só de lembrar da música eu me arrepio, a felicidade era completamente expressada na cena, a esperança de um futuro melhor, tudo. E a fotografia tem um papel importantíssimo na obra, além da música. Com o decorrer do filme, ambos vão ficando cada vez mais pessimistas, escuros, fúnebres. O clímax se desfaz com mais uma cena antológica, inesquecível, não há como não sentir pena do personagem.
 
14. Roma Cidade Aberta (1945 – Roberto Rossellini)
 
É um filme sobre a segunda grande guerra que não se foca em atos grandiosos de heroísmo ou mesmo em figuras carimbadas do conflito, atendo-se aos “heróis desconhecidos”, pessoas comuns que sofreram com a ocupação alemã na metrópole italiana.
O filme se passa no ano de 1944. Somos apresentados ao “engenheiro” Giorgio Manfredi (Marcello Pagliero), na verdade um membro proeminente de uma das organizações de resistência à invasão estrangeira. Manfredi está fugindo de um grupo de soldados nazistas, já que os homens do exército hitlerista haviam descoberto sua identidade real. Ao conseguir escapar, ele logo manda notícias a sua amante habitual, e se prepara para sair da cidade.
Rosselini conduz seu filme com segurança. Contando com parcos recursos, já que a maioria dos estúdios foram destruídos durante a guerra, o cineasta teve de batalhar muito para ver o longa concluído. Tal esforço pode ser reconhecido nas diversas cenas externas, filmadas com um preciosismo único para a época, inclusive com uma belíssima fotografia.
O diretor mostra o melhor de sua forma em uma dramática seqüência que culmina na ruína do enlace entre Pina e Francesco. Tocante, real e devastadora, a cena é uma das mais fortes da produção e é emblemática para as dificuldades que aquelas figuras reais passaram.
Chocante e devastador, “Roma, Cidade Aberta” é um dos melhores retratos em película do pesado período da Segunda Guerra Mundial, mostrando que, não importa quem vença um conflito, a família e os indivíduos sempre saem perdendo.
 
15. Os intocáveis (1987 – Brian De Palma)
 
Em 1987, o diretor conseguiu aliar um elenco impressionante, uma reconstrução de Chicago linda, um roteiro delicioso (baseado em fatos reais) e, principalmente, apuro técnico que poucas vezes viu-se no cinema. Hoje em dia esse filme entra em qualquer lista de melhores filmes sobre a Máfia.
Um agente federal fracassado que junta um grupo formado por um tira novato, um contabilista desajeitado e um policial veterano, com o objetivo de derrubar o poderoso Al Capone? A diferença de forças é gritante. Quase risível.
A cena da escadaria na estação ferroviária, onde os personagens de Costner e Garcia aguardam a chegada do livreiro de Al Capone (que está prestes a ser executado pelos seus comparsas) é um orgasmo técnico do diretor (em homenagem ao Encouraçado Potemkin). Planos, utilização da câmera lenta, utilização do som, ritmo...
Aspectos técnicos mais comuns também são um bom destaque do filme. Principalmente a fotografia e a trilha sonora. O filme conta com uma boa variação de cenas entre uma Chicago suja à noite e boas cenas diurnas. O estilo de De Palma é sempre marcante, sobretudo quando ele investe em boas tomadas de longos travellings.
 

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

"A Contribuição de Eisenstein Para a Evolução da Montagem Cinematográfica"




Por Jessica Sardinha
Pós-Graduação em Audiovisual
PUC-PR 2010



Serguei Mikhailovitch Eisenstein nasceu na cidade de Riga na Letônia em 23 de janeiro de 1898, oriundo da classe média foi fazer faculdade de Engenharia civil e arquitetura.
Durante seu tempo livre, ainda na adolescência, Eisenstein se dedicava aos estudos de Russo, inglês, Frances e desenho, além de estudar em uma espécie de curso preparatório para a faculdade de engenharia. Estudou também arte da renascença e freqüentou as produções teatrais vanguardistas de Meyerhold e Yevreinov.

Em 1918 se alistou ao Exercito Vermelho (exército da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, criado para defender o país durante a guerra civil russa) E durante esse período de milícia Eisenstein se dividia entre seus afazeres de soldado e ao estudo pleno de psicologia, teatro, filosofia e lingüística.
Em 1920 Eisenstein abandonou o exercito e ingressou na Academia Geral de Moscovo onde se juntou ao Teatro dos Trabalhadores Proletkult como desenhista de cenários e de guarda-roupa.
E assim. Ano após ano, Eisenstein foi se aproximando cada vez mais do seu destino.

                                                   





Após estudos aprofundados sobre as obras de Griffith ( de O Nascimento de uma Nação.) E sobre as experiências de montagem de Kuleshov ( inventor do  efeito Kuleshov) Eisenstein, que até então não era considerado um teórico do cinema faz seu primeiro curta : O Diário de Glumov e após mais alguns trabalhos lança seu manifesto. “Perspectivas” como consta no site http://cineclubebeloca.com.br/ :


“Através do manifesto “Perspectivas”, Eisenstein propõe a justaposição de imagens como uma maneira de expressão. Além disso, fez experimentos na linha de Pavlov, utilizando os recursos materiais do filme para explorar a biomecânica, como uma espécie de “espontaneidade condicionada”, testando a reação dos expectadores. Também introduziu a idéia de que o efeito provocado pela justaposição de imagens é maior do que a soma destas imagens, por isso valorizava tanto as montagens, introduzindo os pensamentos da dialética de Hegel nas suas produções e foi ele o grande construtor de conceitos abstratos partindo de elementos concretos.”


Juntamente com seu manifesto Eisenstein lança o celebre “O ENCOURAÇADO POTENKIM” , filme de 1925 qual foi pioneiro em vários sentidos. É o primeiro filme da história a fazer uso de efeitos especiais, usou contrastes e relações de corte, contrastes  e montagem que ainda hoje servem como base para a realização de filmes experimentais.

Eisenstein diz que as leis de construção do discurso interior são base para a construção das leis e das formas que regem a composição das obras de arte.
Isso porque toda criação formal se baseia num processo de pensamento por imagens sensoriais. A noção inicial de dado tema é traduzida para uma cadeia de imagens sensoriais.
Usando a montagem dialética (criada por David Griffith) e aprimorando-a

 “Eisentein interpreta a dualidade da montagem paralela de uma outra forma, onde o resultado do choque entre planos é o ponto fulcral e não as imagens isoladas per se. Utilizando os termos originais da dialética hegeliana e da marxista, os dois primeiros planos, enquanto tese e antítese respectiva, originam uma síntese, criada individualmente na mente do espectador.” (VIVEIROS,Paulo, Portugal-2003)

O apelo estético e sentimental da montagem dialética de Eisenstein, iniciou o sistema de “montagem cinematográfica” (processo que consiste em selecionar, ordenar e ajustar os planos de um filme ou outro produto audiovisual a fim de alcançar o resultado desejado - seja em termos narrativos, informativos, dramáticos, visuais, experimentais, etc) e revolucionou todos os movimentos cinematográficos, e é amplamente usado todos os dias em todas as produções, pois é a partir daí que se constrói a narrativa cinematográfica atual.
Considerado o “pai” da Montagem cinematográfica, Sergei Eisenstein foi o precursor do Cinema como conhecemos, sendo considerado objeto de estudo por todas as Escolas Cinematográficas, tendo seus filmes e apelo visual estudados por Vertentes da Psicologia, Publicidade e tantas outras áreas do saber.

Referencias:
(acessadas em 11/11/2010)


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

começo, meio e fim... (Arnaldo Jabor)

Recebi por email esse texto do Arnaldo Jabor.
Concordo com ele em muitas partes por isso resolvi posta-lo.




Sempre acho que namoro, casamento e  romance tem começo, meio e fim.
Como tudo na vida...
Detesto quando escuto aquela conversa:
'Ah, terminei o namoro... '
'Nossa! quanto tempo?'
'Cinco anos... Mas não deu certo... Acabou'
É não deu... '
Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou.
E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo,
como cobrar cem por cento do outro?
E não temos esta coisa completa.
Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é malhada, mas não é sensível.
Tudo nós não temos.
Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro.
Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico
que é uma delícia.
E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona. ..
Acho que o beijo é importante.. . E se o beijo bate... Se joga... Senão bate...
Mais um Martini, por favor... E vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra.
O outro tem o direito de não te querer. 


Não lute, não ligue, não dê pití.
Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos,
mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta.
Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro,
recessão de família?
O legal é alguém que está com você por você.
E vice versa.
Não fique com alguém por dó também.
Ou por medo da solidão.
Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.
E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar,
seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro.
Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói. 


Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração.
Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo.
E nem sempre as coisas saem como você quer...
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta.
Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias.
E nem todo sexo bom é para namorar.
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.
Nem todo beijo é para romancear.
Nem todo sexo bom é para descartar.
Ou se apaixonar.
Ou se culpar.
Enfim...quem disse que ser adulto é fácil? 


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

ODEIO meu aniversário

Hoje, 07 de outubro de 2010 eu estou completando 24 anos de vida.
Eu não me lembro de nunca ter gostado muito de fazer aniversário, mas esse ano por algum motivo está pior...
Fiquei tentando analizar porque não gosto do meu aniversário... tem gente que não gosta porque tá ficando velho, ou porque ninguem se lembra... Sei lá... eu só não gosto, na verdade eu passo o dia do meu aniversário me odiando, sempre, fico odiando a mim e aos outros, tudo e todos... Ai que deprê absurda...
As vezes acho que não vou conseguir controlar a minha raiva... Hoje eu não gosto de ninguem

É surreal essa minha sensação de perda, de que sou o LIXO do universo. Mas que coisa, é só uma data, pq fico dessa forma?! Inexplicavel né?!


Bem de qualquer forma, pensei q escrevendo aqui a minha agonia diminuiria... mas ela não diminuiu, e essa merda de dia tem se arrastado...


Affff... é melhor eu ir.... fui

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Tenho costume de ler as minhas próprias postagens. É uma forma de auto-critica eu acho.
Quando Fiz esse blog, eu não sabia exatamente para que ele ia servir, jamais soube em que
seguimento ele poderia ser segmentado.
De qualquer forma, acho que ele ainda não tem uma forma definida, ou um seguimento, a não ser o seguimento "Jessica Sardinha" rsrs.

Ao le-lo me reconheço em cada frase, o que é bom, pois fiz esse blog com o intuito de terapia...rs...Soltar tudo o que vem dessa minha cabeça amplamente infestada de pensamentos diversos.

Hoje ao ver que apesar de singelo, esse blog aos poucos vai conquistando seguidores, assim como o meu perfil no Twitter também, fico me sentindo honrada, pois alguem tem interesse no que eu tenho para dizer.
E hoje, nesse pequeno post eu gostaria de agradecer a vocês!!!

Obrigada !