Síntese de filmes – Aula de Estética do Audiovisual
(Textos retirados e adaptados de sites e comentários sobre o assunto)
Fabio Viviurka Correia
1. Os doze condenados (1967 - Robert Aldrich)
Em março de 1944, pouco antes da invasão da Normandia pelas tropas aliadas, o Alto Comando Americano decide realizar uma verdadeira missão suicida, cuja finalidade é fazer o maior número de baixas de oficiais nazistas que se acham reunidos, com suas amantes, num castelo francês.
De acordo com o plano pré-estabelecido, o grupo salta de pára-quedas por trás das linhas inimigas e inicia a operação de tomar o castelo e matar seus ocupantes, principalmente os oficiais nazistas. A batalha é muito dura, com várias baixas, mas a missão é finalmente cumprida.
Os sobreviventes tornam-se heróis e têm suas fichas limpas. Os mortos recebem a distinção de terem sacrificado suas vidas em combate pela pátria.
Baseado na obra de E. M. Nathanson, "Os Doze Condenados" é um dos mais populares filmes sobre a 2ª Guerra Mundial. As cenas de combate são muito bem coreografadas.
2. Disque M para Matar (1964 - Alfred Hitchcock)
Considerado por alguns críticos como um filme menor do mestre Alfred Hitchcok, Disque M Para Matar, é na verdade, um ótimo exemplar de seu gênero. Adaptado por Frederick Knott de uma peça de sua própria autoria, o filme explora com louvor a claustrofobia de um pequeno apartamento, ao mesmo tempo que desenvolve uma trama macabra de asassinato.
Ao melhor estilo Agatha Christie, com ótimo clima de mistério e diálogos impressionantes, Alfred Hitchcock faz de seu espaço (constituído basicamente de dois cenários) ambientes suficientes para demonstrar o talento habitual.
Hitchcock conseguiu capturar perfeitamente a ideia de Knott – sem deixar que o efeito teatral comprometesse a atmosfera mórbida e inquietante presente em outros filmes que dirigiu. Acaba transcendendo a obviedade do assassinato e revelando aspectos da personalidade dos envolvidos – que resvalam entre o ressentimento, a falsidade e o ódio.
3. Pierrot le fou (Jean-Luc Godard)
Pierot Le Fou (O Demônio das Onze Horas) é uma adaptação da novela Obsession, do norte-americano Lionel White.Um enorme e forte ensaio sobre as condições humanas, sobre as fronteiras do que é real e o que é ficção.
"Pierot" é o espelho de um Godard contestador, engaijado em um cinema que fosse em direção oposta ao estabilishment da época.
Godard utiliza em seu "Pierot" de várias referências à Poesia e ao Cinema.Há instantes que para tratar da relação entre "Pierot" (Ferdinand) e Marianne, Godard utiliza-se do lirismo do melodrama e do musical, em seguida, utiliza do interlúdio para nomear e anunciar as sequências( fuga, espera, ódio, amor, perigo...).
Tudo isso faz parte de seu experimentalismo, auxilia na aproximação com o real, e faz com que a trama a construa o carater pertubador de Pierrot.
O Roteiro de "Pierot" segue o mesmo caminho de experimentalismo. A narrativa é fragmentada, cria expectativas sobre o que acontecia, ao mesmo tempo em que compõe a unidade da trama.
"Pierot" é o espelho de um Godard contestador, engaijado em um cinema que fosse em direção oposta ao estabilishment da época.
Godard utiliza em seu "Pierot" de várias referências à Poesia e ao Cinema.Há instantes que para tratar da relação entre "Pierot" (Ferdinand) e Marianne, Godard utiliza-se do lirismo do melodrama e do musical, em seguida, utiliza do interlúdio para nomear e anunciar as sequências( fuga, espera, ódio, amor, perigo...).
Tudo isso faz parte de seu experimentalismo, auxilia na aproximação com o real, e faz com que a trama a construa o carater pertubador de Pierrot.
O Roteiro de "Pierot" segue o mesmo caminho de experimentalismo. A narrativa é fragmentada, cria expectativas sobre o que acontecia, ao mesmo tempo em que compõe a unidade da trama.
4. O Homem com a Câmera (1929 - Dziga Vertov)
Esse filme significa a ruptura com a linguagem literária e da dramaturgia, descarta o cinema passado, propõe um cinema visionário que se deslumbra com as novas tecnologias à época, com o cinema como necessidade, essência e ato.
A lembrança daquele tempo é captada pela câmera na condição de narrador, que por sua vez, se faz funcional pela manipulação de um olhar humano, seria uma mutação entre o homem e a máquina.
São testadas inúmeras possibilidades técnicas que se poderia fazer com a câmera naqueles tempos, o efeito é uma colagem de imagens, aceleradas, reduzidas, recortadas e etc. Tem-se a seguinte visão: a parte pelo todo. Então, a partir de escolhas deliberadas apresenta-nos vários tipos de planos e seqüências, ora feitos da forma mais simples de captação de um momento, ora de forma ilusionista, condiciona-nos a uma interpretação diferenciada da realidade. Ainda, faz com a música, um orgânico encaixe entre som e imagem. Vertov se posiciona como um apêndice da câmera, como se a máquina tomasse forma mítica, um ser que tudo olha.
5. Casablanca (1942 – Michael Curtiz)
Lançado em 1943, Casablanca teve uma aceitação mais que compreensível. Desejosos pelo fim da Segunda grande Guerra Mundial, o público foi tomado de imediata empatia pela história do casal que luta para deixar a Europa rumo aos Estados Unidos e por sua perseverança na defesa de ideais – não que o filme denote qualquer pretensão nesse sentido. Pode-se dizer até, que Casablanca é um filme simples.
Bogart, na pele do ex-amante, é magnético em cena: capaz de se mostrar mais cativante a cada falha de caráter que revela, é responsável em boa parte pela genialidade dos diálogos, insuflados de acidez e humor negro. Ingrid, dona de beleza e gestual tão clássicos como quaisquer outros elementos do filme, brilha, quase que literalmente, no competente trabalho de fotografia em preto e branco. No elenco de coadjuvantes, outro ponto forte do filme, Claude Rains, como o chefe de polícia local, rouba a cena e suscita uma delicada questão ao final do filme, no tocante a sexualidade de Rick. Será que ele é?
Da fumaça de cigarro onipresente à trilha sonora inconfundível de Max Steiner, passando-se pela imortalizada frase “Toque, Sam.”: Casablanca é um ícone definitivo da cultura cinematográfica. Só Deus sabe quantas vezes a canção As Times Goes By, serviu de referência romântica desde então.
É um dos filmes mais populares da era do cinema mudo. É bastante importante devido a suas inovações técnicas. Porém, ele glorifica a escravatura e justifica a segregação racial, em linha com o movimento intelectual denominado Lost Cause. Ao mostrar um grupo de brancos linchando um negro que praticara um crime, de maneira aprovativa, o filme afirma e promove o contexto cultural para o aparecimento da Ku Klux Klan, que liderou grupos de brancos vestindo lençóis brancos ao linchamento dos afro-americanos.
Muito controverso, o filme dirigido por D. W. Griffith foi baseado nas novelas de Thomas Dixon The Clansman e The Leopard's Spots. Ele foi lançado em 1915 e é creditado por garantir o futuro dos longa-metragens e solidificar os símbolos da linguagem cinematográfica.
O nascimento de uma nação foi pioneiro em várias técnicas como o close-up facial, a focalização profunda, que são consideradas fundamentais para a indústria atual de cinema. Também contém várias inovações cinemáticas, efeitos especiais, e técnicas artísticas, incluindo uma sequência colorida no final.
7. Outubro (1928 - Sergei Eisenstein)
Esse filme é o resultado da aplicação de um novo método de montagem elaborado pelo diretor, denominado de "montagem intelectual". Esse método visava a cinematização de conceitos abstratos, de fenômenos intelectuais e de teses logicamente formuladas. Uma película não teria por objetivo a narração de acontecimentos, mas sim de sistemas de noções que seriam apreendidos pelo espectador através do esforço intelectual, auxiliado por estimulantes visuais, auditivos e bio-motores. O grande sonho de Eisenstein, no que concerne ao cinema intelectual, era realizar um filme que retratasse nas telas O Capital de Marx, o que nunca foi permitido por Stalin.
Outubro apresenta ao espectador alguns episódios que marcaram o período compreendido entre fevereiro e outubro de 1917. A participação do Partido Bolchevique é destacada, mas seu papel não é exaltado. A única liderança que se destaca é a de Lenin. Stalin não aparece no filme nenhuma vez.
Não obstante toda a pressão do Partido e a posição contrária da crítica, Outubro é uma película com muitos aspectos positivos. O espírito do internacionalismo socialista, ponto crucial nas discussões da época e tão combatido por Stalin, está presente em toda a obra. O papel das massas ainda é apresentado como essencial para o processo revolucionário.
8. O encouraçado Potemkin (1925 – Sergei Eisenstein)
Pode parecer idiota você afirmar hoje que, ao colocar dois planos juntos, completamente diferentes, em seqüência, eles criam um sentido conseqüente, dialogando com o seu público (montagem dialética), mas, para a época, cheia de planos gerais ou mega-ultra-closes, a idéia foi uma inovação importantíssima para o cinema.
Talvez a cena mais famosa do longa não seja a melhor – refiro-me à Escadaria de Odessa, onde vários cidadãos são cruelmente assassinados por Cossacos (perceba no jogo de câmera inteligentemente utilizado para o diretor tomar parte no conflito; as vítimas, sempre em close, os malvados, sempre escondidos nas sombras) e, no meio do conflito, desce um carrinho de bebê pelos degraus.
Digo isso porque o filme é lotado de grandes momentos, grandes passagens, tanto técnicas quanto dramáticas. Não é preciso entender muito de cinema para ver os grandes movimentos ousados que Eisenstein faz com o seu brinquedo chamado câmera: diversas panorâmicas, elevações (com destaque para a que dá dimensão à fila do corpo velado por causa da sopa).
O modo como Eisenstein prepara seu público para os acontecimentos é digno de uma análise mais cuidadosa. Sempre pensando na melhor maneira de dramatizar suas passagens, o diretor cria diversos momentos de tensão para valorizar as explosões chaves de seu roteiro.
9. Alexandre Nevski (1938 - Sergei Eisenstein)
Rússia, primeira metade do século XIII. Em um momento difícil da sua história o país é invadido em uma frente pelos cavaleiros teutônicos e por outra frente pelos tártaros. Como resultado, a pátria é saqueada e a moral da população fica bem baixa. Finalmente, o deprimido e instável príncipe Alexander Yaroslavich Nevsky (Nikolai Cherkasov) é chamado para liderar seu povo na luta contra os opressores.
Com este filme Eisenstein abandonou de certa forma o seu estilo tradicional partindo para seu primeiro trabalho para o grande público. Após um longo período de fracassos e de uma longa estadia no exterior, este filme trouxe-lhe a glória que há tanto tempo lhe era devida.
Neste trabalho conjunto com Prokofjev ele aprofunda-se na integração do som e da imagem. O trabalho de câmara é de Eduard Tissé.
10. Tempos Modernos (1936 – Charles Chaplin)
Trata-se do último filme mudo de Chaplin, que focaliza a vida urbana nos Estados Unidos nos anos 30, imediatamente após a crise de 1929, quando a depressão atingiu toda sociedade norte-americana, levando grande parte da população ao desemprego e à fome.
A figura central do filme é Carlitos, o personagem clássico de Chaplin, que ao conseguir emprego numa grande indústria, transforma-se em líder grevista conhecendo uma jovem, por quem se apaixona. O filme focaliza a vida do na sociedade industrial caracterizada pela produção com base no sistema de linha de montagem e especialização do trabalho. É uma crítica à "modernidade" e ao capitalismo representado pelo modelo de industrialização, onde o operário é engolido pelo poder do capital e perseguido por suas idéias "subversivas".
Em sua Segunda parte o filme trata das desigualdades entre a vida dos pobres e das camadas mais abastadas, sem representar contudo, diferenças nas perspectivas de vida de cada grupo. Mostra ainda que a mesma sociedade capitalista que explora o proletariado, alimenta todo conforto e diversão para burguesia. Cenas como a que Carlitos e a menina órfã conversam no jardim de uma casa, ou aquela em que Carlitos e sua namorada encontram-se numa loja de departamento, ilustram bem essas questões.
A figura central do filme é Carlitos, o personagem clássico de Chaplin, que ao conseguir emprego numa grande indústria, transforma-se em líder grevista conhecendo uma jovem, por quem se apaixona. O filme focaliza a vida do na sociedade industrial caracterizada pela produção com base no sistema de linha de montagem e especialização do trabalho. É uma crítica à "modernidade" e ao capitalismo representado pelo modelo de industrialização, onde o operário é engolido pelo poder do capital e perseguido por suas idéias "subversivas".
Em sua Segunda parte o filme trata das desigualdades entre a vida dos pobres e das camadas mais abastadas, sem representar contudo, diferenças nas perspectivas de vida de cada grupo. Mostra ainda que a mesma sociedade capitalista que explora o proletariado, alimenta todo conforto e diversão para burguesia. Cenas como a que Carlitos e a menina órfã conversam no jardim de uma casa, ou aquela em que Carlitos e sua namorada encontram-se numa loja de departamento, ilustram bem essas questões.
11. Cidadão Kane (1941 – Orson Welles)
Com pouco mais de 20 anos, Orson Welles dirigiu, produziu e roteirizou uma das maiores obras-primas da história do cinema.
O modo como a história é contada foi uma revolução para a época, por causa da narrativa não-linear. É necessário a atenção do espectador para colocar em ordem tudo o que o filme está apresentando. Nunca um filme havia utilizado tal sistema de flashbacks antes (sim, flashbacks já haviam sido usados, mas nunca dessa forma, assíncrona, para construir a história; eram utilizados apenas para esclarecê-la).
Logo na cena de abertura, onde vemos o portão em primeiro plano e o castelo no segundo, é o primeiro aspecto técnico impressionante, afinal, era a primeira vez que a profundidade de campo era usada intencionalmente em um filme. Orson Welles trabalhou, durante toda sua duração (e brincando nesse começo), sobre a importância do que acontecia em primeiro e em segundo plano. Ele e seu Cidadão Kane foram os grandes responsáveis por talvez o recurso mais comum hoje em dia no cinema. Impossível um filme não se aproveitar dessa técnica. Outro ponto legal é a passagem do exterior do castelo para o interior, com a fusão de películas e um longo travelling. Isso era outro fator inédito, esses movimentos com a câmera, até então nunca utilizados. Se Griffith inventou a linguagem cinematográfica, foi Welles que a aperfeiçoou e deu as ferramentas para todos os diretores trabalharem com ela.
A fotografia é outro fator importantíssimo para o filme. Ao contrário do Expressionismo Alemão, que utilizava das sombras para tornar o protagonista parte do cenário, Gregg Toland (o fotógrafo do filme) utilizou o jogo de luz e sombras para dar o clima dark que queria. Sempre que Kane ia revelando seu lado negro, fazendo suas peripécias somente pensando em si, a sombra dominava o cenário, geralmente o encobrindo. O enquadramento foca tanto os primeiros planos como os segundos, sempre jogando com isso, diversas vezes mostrando o teto dos cenários, brincando com o tamanho aparente e seus egos no momento.
12. O Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964 – Glauber Rocha)
"Vou contar uma história, na verdade, é imaginação. Abra bem os seus olhos pra enxergar com atenção. É coisa de Deus e Diabo, lá nos confins do sertão.”
É um dos filmes mais representativos do Cinema Novo – corrente artística liderada por Glauber Rocha fundado na metade da década de 50 – que era composto em sua maioria por jovens cineastas.Tinha como principal influência o Neo-Realismo Italiano e a Nouvelle-Vague Francesa. Com orçamentos baixos, a principal proposta era fazer filmes anti-industriais, bárbaros e polêmicos. É possível identificar também a influência de Sartre e de Eisenstein (encouraçado Potemkin).
Considerado por muitos como o melhor filme brasileiro, Deus e o Diabo na Terra do Sol exemplifica bem a personalidade de Glauber. Um sujeito ambíguo, complicado, perturbado, controverso. Mandado ao exílio pelos militares, traiu a esquerda, e apoiou Geisel. Posteriormente traiu os militares e ninguém mais o queria. Muito polêmico, conseguiu a admiração de críticos e cineastas.
Eu parti do texto poético. A origem de Deus e o Diabo é uma língua metafórica, a literatura de cordel. No Nordeste, os cegos, nos circos, nas feiras, nos teatros populares, começam uma história cantando: eu vou lhes contar uma história, que é de verdade e de imaginação, ou então, que é imaginação verdadeira. Toda minha formação foi feita nesse clima. A idéia do filme me veio espontaneamente."
13. Ladrões de bicicleta (1948 – Vittorio de Sica)
É um dos filmes integrantes do Neo-Realismo, movimento originário na Itália no meio dos anos 40 que contava histórias de conseqüências da guerra, ou então resistências durante a mesma. O diretor Era o homem das emoções, o que ia direto aos corações italianos.
Vale citar que, por causa do medo da imagem que a Itália tinha com o que os filmes mostram, os neo-realistas sofriam diversas repressões, o que levou todos os diretores a abandonar esse estilo de filmar pouco depois. Diversas pessoas são mostradas desesperadas, atrás de emprego, fazendo qualquer coisa. Mostra-se também o mercado negro, representado pelo mercado de bicicletas, e o desespero humano, até onde uma pessoa pode chegar. Aliás, é nisso que o filme se baseia, na degradação humana pela necessidade, em busca do que hoje para muitos pode ser banal. O desespero de forma crua e imprevisível, tudo com o toque sentimental inconfundível De Sica à obra.
A cena em que Ricci consegue sua bicicleta e sai para o primeiro dia de trabalho é antológica. Só de lembrar da música eu me arrepio, a felicidade era completamente expressada na cena, a esperança de um futuro melhor, tudo. E a fotografia tem um papel importantíssimo na obra, além da música. Com o decorrer do filme, ambos vão ficando cada vez mais pessimistas, escuros, fúnebres. O clímax se desfaz com mais uma cena antológica, inesquecível, não há como não sentir pena do personagem.
14. Roma Cidade Aberta (1945 – Roberto Rossellini)
É um filme sobre a segunda grande guerra que não se foca em atos grandiosos de heroísmo ou mesmo em figuras carimbadas do conflito, atendo-se aos “heróis desconhecidos”, pessoas comuns que sofreram com a ocupação alemã na metrópole italiana.
O filme se passa no ano de 1944. Somos apresentados ao “engenheiro” Giorgio Manfredi (Marcello Pagliero), na verdade um membro proeminente de uma das organizações de resistência à invasão estrangeira. Manfredi está fugindo de um grupo de soldados nazistas, já que os homens do exército hitlerista haviam descoberto sua identidade real. Ao conseguir escapar, ele logo manda notícias a sua amante habitual, e se prepara para sair da cidade.
Rosselini conduz seu filme com segurança. Contando com parcos recursos, já que a maioria dos estúdios foram destruídos durante a guerra, o cineasta teve de batalhar muito para ver o longa concluído. Tal esforço pode ser reconhecido nas diversas cenas externas, filmadas com um preciosismo único para a época, inclusive com uma belíssima fotografia.
O diretor mostra o melhor de sua forma em uma dramática seqüência que culmina na ruína do enlace entre Pina e Francesco. Tocante, real e devastadora, a cena é uma das mais fortes da produção e é emblemática para as dificuldades que aquelas figuras reais passaram.
Chocante e devastador, “Roma, Cidade Aberta” é um dos melhores retratos em película do pesado período da Segunda Guerra Mundial, mostrando que, não importa quem vença um conflito, a família e os indivíduos sempre saem perdendo.
15. Os intocáveis (1987 – Brian De Palma)
Em 1987, o diretor conseguiu aliar um elenco impressionante, uma reconstrução de Chicago linda, um roteiro delicioso (baseado em fatos reais) e, principalmente, apuro técnico que poucas vezes viu-se no cinema. Hoje em dia esse filme entra em qualquer lista de melhores filmes sobre a Máfia.
Um agente federal fracassado que junta um grupo formado por um tira novato, um contabilista desajeitado e um policial veterano, com o objetivo de derrubar o poderoso Al Capone? A diferença de forças é gritante. Quase risível.
A cena da escadaria na estação ferroviária, onde os personagens de Costner e Garcia aguardam a chegada do livreiro de Al Capone (que está prestes a ser executado pelos seus comparsas) é um orgasmo técnico do diretor (em homenagem ao Encouraçado Potemkin). Planos, utilização da câmera lenta, utilização do som, ritmo...
Aspectos técnicos mais comuns também são um bom destaque do filme. Principalmente a fotografia e a trilha sonora. O filme conta com uma boa variação de cenas entre uma Chicago suja à noite e boas cenas diurnas. O estilo de De Palma é sempre marcante, sobretudo quando ele investe em boas tomadas de longos travellings.























